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Maduro encomenda aplicativo para que venezuelanos informem Forças Armadas 24 horas por dia

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Caracas – O presidente venezuelano Nicolás Maduro ordenou a criação de um aplicativo que permitirá à população relatar “tudo o que vê e ouve” às Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) e às milícias ligadas ao chavismo, 24 horas por dia.

O anúncio foi feito na segunda-feira, 20 de outubro, durante transmissão pelo canal estatal VTV. Segundo Maduro, a ferramenta será desenvolvida dentro do VenApp, rede social lançada em 2022 para registrar problemas cotidianos, como falhas no fornecimento de energia.

“É uma ideia maravilhosa. Temos essa ferramenta, temos tudo: a organização, a conscientização, a liderança, as unidades de milícias comunitárias, a Milícia Bolivariana, as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas com seus sistemas de armas e muitas outras coisas”, declarou o líder chavista, acrescentando que todos esses grupos devem participar do projeto.

Anistia Internacional e ONG apontam riscos

A Anistia Internacional já havia informado que o VenApp ganhou, anteriormente, recurso que permite denunciar manifestantes contrários ao governo. A ONG venezuelana VEsinFiltro criticou o novo plano, alegando que ele representa “grave ameaça à privacidade, à liberdade de expressão e à integridade das pessoas”, ao instituir “um sistema de vigilância social” e intensificar a “militarização do controle cidadão”.

Após a inclusão da função de denúncias contra opositores, Google e Apple removeram o VenApp de suas lojas virtuais. Para a ONG, a proposta atual retoma e aprofunda esse precedente ao envolver unidades armadas e milícias no desenvolvimento e na gestão do novo aplicativo.

Contexto de tensão externa

A iniciativa surge em meio ao reforço de uma operação militar dos Estados Unidos no Mar do Caribe, oficialmente voltada ao combate ao narcotráfico, mas vista por Caracas como tentativa de desestabilizar o governo. Na semana passada, o então presidente norte-americano Donald Trump confirmou ter autorizado operações da CIA na Venezuela e disse considerar ações terrestres no país.

Também em outubro, Maduro ativou um plano militar para reagir a eventual invasão externa.

Com informações de Gazeta do Povo