O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes concedeu prazo de cinco dias para que a Polícia Federal detalhe novamente a acusação de que o ex-assessor internacional de Jair Bolsonaro, Filipe G. Martins, teria viajado aos Estados Unidos no réveillon de 2022 como parte de um suposto plano de fuga. A decisão foi tomada em 18 de outubro de 2025, após a entrada do Federal Bureau of Investigation (FBI) na investigação sobre a autenticidade do registro migratório apresentado no inquérito.
De acordo com nota oficial divulgada nesta semana pelo governo norte-americano, Martins “jamais ingressou” em território dos EUA no período mencionado. A Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, na sigla em inglês) afirmou que o documento que consta no processo brasileiro é falso e está sendo investigado para identificar os responsáveis.
A suposta passagem pelos Estados Unidos foi utilizada como um dos fundamentos para manter o ex-assessor preso por seis meses. A defesa de Martins já havia anexado aos autos bilhetes de avião entre Brasília e Curitiba, registros de geolocalização do celular e comprovantes de corridas de aplicativo que, segundo os advogados, demonstram que ele não deixou o Brasil no fim de 2022.
No comunicado, a CBP mencionou Alexandre de Moraes, lembrando que o ministro foi recentemente alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos por alegadas violações de direitos humanos. A defesa de Martins informou que acionou o FBI para apurar o caso.
Após a manifestação norte-americana, Moraes solicitou explicações adicionais também à Procuradoria-Geral da República (PGR). O ministro busca esclarecer a origem do registro migratório que sustentou a denúncia apresentada pela Polícia Federal.
Informações do programa “Ouça Essa”, apresentado pelo jornalista Marcos Tosi, indicam ainda que Moraes chegou a destituir os advogados de Martins, medida revertida 24 horas depois, e que a PGR teria juntado aos autos documentos considerados forjados ou inconsistentes.
Filipe G. Martins ocupou o cargo de assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República entre 2019 e 2022.
Com informações de Gazeta do Povo