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Soja brasileira dispara na China após novas tarifas entre Washington e Pequim

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Brasília – A escalada tarifária entre Estados Unidos e China, reacendida em maio de 2025, fez a soja brasileira ampliar a liderança no maior mercado consumidor do mundo. Desde que Pequim impôs tarifa de 20% sobre o grão norte-americano, importadores chineses interromperam totalmente as compras dos EUA, enquanto o Brasil passou a registrar volumes recordes de embarques.

Exportações em alta

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que, entre julho e setembro, 24,3 milhões de toneladas deixaram portos brasileiros rumo à China. O resultado corresponde a altas de 7,4%, 33,9% e 57,1%, respectivamente, em comparação com os mesmos meses de 2024. Em setembro, 92,3% de toda a soja exportada pelo Brasil teve como destino o gigante asiático.

Como a crise começou

O embate comercial foi retomado após o governo de Donald Trump elevar tributos sobre produtos chineses para até 100%. Pequim retaliou, mas manteve a tarifa da soja norte-americana em 20%, valor suficiente para tornar o grão brasileiro mais competitivo. A trégua de 90 dias firmada em 12 de maio, que reduziu parte das taxas recíprocas, não incluiu a oleaginosa como prioridade.

Peso do mercado chinês

A China responde por 61,1% das importações globais de soja. Em 2024, adquiriu 105,03 milhões de toneladas; 71,1% partiram do Brasil e 22% dos EUA. A produção doméstica atende apenas 15% da demanda, voltada principalmente à fabricação de ração para suínos e aves.

Riscos para o Brasil

Especialistas alertam para a dependência de um único comprador. Um eventual acordo entre Washington e Pequim ou mudanças internas na política chinesa podem redirecionar a procura. Além disso, fenômenos climáticos como La Niña podem afetar a safra 2025/26, sobretudo no Sul do país, enquanto custos elevados de fertilizantes, defensivos e frete limitam a expansão de área.

A armazenagem é outro ponto crítico. Segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), a expansão anual da produção supera a construção de silos, e os juros altos dificultam novos investimentos.

Efeito interno

O avanço das exportações pressiona os estoques domésticos. Indústrias de esmagamento relatam dificuldade para encontrar lotes no mercado físico e já praticam preços de farelo acima das cotações internacionais. Menor oferta interna pode elevar custos para produtores de proteína animal.

Produtores dos EUA em desvantagem

A suspensão completa das compras chinesas desde maio atinge duramente os sojicultores norte-americanos. Em 2024, a China absorveu 26,8 milhões de toneladas dos EUA, equivalentes a 51,3% das exportações do país. A Associação Americana de Soja critica o uso de tarifas como ferramenta de negociação e cobra ajuda federal, estimada entre US$ 10 bilhões e US$ 14 bilhões – verba que, segundo analistas, só deve chegar em 2026.

Mesmo com o governo norte-americano prometendo novo encontro entre Trump e Xi Jinping para discutir o tema, Washington manteve o alerta de que as tarifas extras entram em vigor em 1º de novembro caso não haja acordo.

Enquanto isso, o Brasil consolida a posição de principal fornecedor da oleaginosa ao maior importador mundial, mas precisa administrar riscos climáticos, logísticos e de mercado para sustentar os atuais patamares de vendas.

Com informações de Gazeta do Povo