Brasília — O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) encaminhou, em novembro de 2018, uma emenda parlamentar de R$ 863 mil para a China National Electronics Import & Export Corporation (CEIEC), empresa estatal chinesa que viria a ser sancionada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos dois anos depois.
Em novembro de 2020, já na administração de Donald Trump, Washington incluiu a CEIEC na lista de sanções por suposto apoio ao governo de Nicolás Maduro na Venezuela. Segundo o então secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, o regime venezuelano teria utilizado serviços da companhia para limitar o acesso a conteúdos considerados dissidentes na internet e realizar vigilância digital.
No mesmo Orçamento de 2018, outros três deputados federais e o relator-geral da proposta, senador Eduardo Braga (MDB-AM), apresentaram emendas que também beneficiaram a CEIEC. Juntas, essas indicações somaram R$ 21 milhões.
Acusações dos EUA
Os Estados Unidos afirmam que a CEIEC forneceu software e treinamento à estatal venezuelana de telecomunicações CANTV, responsável por cerca de 70% da internet no país, ajudando a implantar um sistema de bloqueio semelhante ao “Great Firewall” chinês. Em resposta, o governo chinês acusou Washington de tentar sufocar empresas de Pequim e de Caracas por meio de sanções unilaterais.
Questionamentos sem resposta
Em 19 de setembro, a reportagem enviou perguntas a Eduardo Bolsonaro sobre o motivo da destinação dos recursos, eventual prestação de serviços pela empresa ao Brasil e se ele tinha conhecimento das sanções norte-americanas. Até o momento, o parlamentar não se manifestou.
O senador Eduardo Braga também foi consultado. Ele declarou que o relator-geral do Orçamento não define beneficiários específicos e que suas emendas servem apenas para corrigir erros, omissões e ajustar a peça orçamentária.
A reportagem seguirá acompanhando eventuais manifestações dos envolvidos.
Com informações de Gazeta do Povo