Brasília – O lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, compareceu nesta quinta-feira (25) à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social.
Antunes havia sido convocado para depor em 15 de setembro, mas cancelou a participação de última hora. Desta vez, ele apresentou-se ao colegiado após obter habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que garantiu o direito de permanecer em silêncio. O investigado cumpre prisão preventiva a pedido da Polícia Federal e foi conduzido ao Senado.
Investigação aponta desvio de R$ 50 milhões
De acordo com a Operação Sem Desconto, o lobista movimentou mais de R$ 50 milhões em esquemas que teriam causado prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões a aposentados e pensionistas. Durante as diligências, foram apreendidos cinco carros de luxo avaliados em R$ 3,29 milhões, entre eles um Porsche e dois BMWs.
Segundo a Polícia Federal, Antunes atuava como intermediário entre associações conveniadas e servidores do INSS, facilitando o credenciamento de entidades suspeitas e a liberação de descontos em folha de beneficiários.
Presidente da CPMI cobra explicações
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que as provas documentais já foram reunidas, incluindo movimentações bancárias e registros de empresas ligadas ao lobista. “O que queremos agora é a versão dele”, declarou. Viana destacou ainda que os investigados realizavam saques de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões “com a certeza da impunidade”.
Família na mira do colegiado
A oitiva ocorre após a comissão convocar a esposa e o filho de Antunes, apontados pela PF como sócios em suas empresas. A medida foi tomada depois de o lobista faltar à primeira convocação.
O depoimento desta quinta-feira ocorre no plenário da CPMI, instalado no Senado, e integra a etapa de coleta de testemunhos do colegiado.
Com informações de Gazeta do Povo