No Irã, estudantes que abraçaram o cristianismo precisam seguir rituais islâmicos nas salas de aula e fingir adesão total ao Alcorão para não sofrer represálias. A rotina inclui horários de oração obrigatórios, aulas sobre o islã e fiscalização constante em escolas, universidades e até no serviço militar.
Medo de rejeição e consequências acadêmicas
Mobina*, jovem convertida, relata que a simples suspeita de não apoiar o islã pode resultar em notas baixas, expulsão e até denúncia ao serviço secreto. “Sou cristã e tenho que me comportar como muçulmana”, resume.
Serviço militar e peso na consciência
Mehrdad* enfrentou o mesmo dilema ao ingressar no Exército. Temendo punições, declarou-se muçulmano em formulário oficial. A decisão, segundo ele, gerou culpa por negar publicamente sua nova fé.
Família como primeiro obstáculo
Quando a conversão é descoberta em casa, o resultado pode ser rompimento de laços. Azad* afirma que muitos ouvem dos pais frases como “você envergonha a família” e recebem ameaça de deserdar.
Falta de comunhão e desequilíbrio de gênero
Reuniões presenciais com outros cristãos são raras e arriscadas. Nas igrejas domésticas, há predominância feminina, dificultando que mulheres encontrem parceiros que compartilhem a mesma fé. “Acabamos buscando alguém fora da igreja”, diz Sogol*.
Prisões fragilizam redes de apoio
Operações policiais podem ocorrer a qualquer momento. Aos 17 anos, Sogol viu pastor e mãe presos; interrogada, passou a morar sozinha. Bahareh*, 30, enfrentou situação semelhante após a detenção do pai.
Liderança precoce e perseguição direta
Com pastores frequentemente encarcerados, jovens assumem responsabilidades cedo. O pastor Hovan destaca que essa geração se mostra mais ousada, mas, por isso, torna-se alvo preferencial da polícia secreta.
Treinamento clandestino
A organização Portas Abertas promove cursos escondidos para preparar esses líderes. O Irã ocupa a 9ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2025, indicando nível “extremo” de hostilidade ao cristianismo.
Esperança que sustenta
Apesar da pressão, muitos permanecem no país. “Cristo se revelou de forma tão real que me dá forças”, diz Sogol. Mobina acrescenta: “Decidimos não nos guiar pelo medo, mas compartilhar o amor de Jesus”.
Com informações de Folha Gospel