A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) elevou o nível de prontidão no Leste Europeu depois que drones russos cruzaram, em 8 e 13 de setembro, o espaço aéreo da Polônia e da Romênia, respectivamente. Os dois episódios, considerados deliberados por Varsóvia e Bucareste, provocaram respostas militares imediatas da aliança.
Caças britânicos de prontidão
Em 15 de setembro, o Reino Unido anunciou o envio de aeronaves Typhoon para missões de defesa aérea sobre a Polônia. Os caças decolam da base de Coningsby, no nordeste da Inglaterra, com apoio de aviões-tanque Voyager.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que “a Rússia se comporta de forma temerária e constitui ameaça direta à segurança europeia”. Já o ministro da Defesa, John Healey, classificou as ações de Moscou como “imprudentes, perigosas e inéditas”, ressaltando que os Typhoon farão parte da estratégia de dissuasão da Otan.
Operação Sentinela Oriental
Os caças integram a Operação Sentinela Oriental, lançada oficialmente na semana passada pelo secretário-geral da Otan, Mark Rutte. O plano reúne caças, sistemas antiaéreos, tropas de apoio logístico e compartilhamento de inteligência de Reino Unido, França, Alemanha, Dinamarca, Holanda e Itália, com foco no reforço do flanco leste.
O ministro da Defesa da Polônia, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, confirmou que aeronaves aliadas já pousam em bases polonesas e avaliou a cooperação como “impressionante”.
Romênia reage a nova violação
Dois dias antes, em 13 de setembro, a Romênia detectou um drone russo no Delta do Danúbio. Caças F-16 decolaram, e os pilotos chegaram a considerar o abate do equipamento que retornou à Ucrânia. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou Moscou de “ampliar deliberadamente a guerra contra países da Otan”.
A chanceler romena, Toiu Oana, prometeu levar o caso à Assembleia Geral da ONU e pressionar por um 19º pacote de sanções da União Europeia contra a Rússia.
Reforço militar em outros membros
• Dinamarca: anunciou a maior compra de defesa de sua história, 7,7 bilhões de euros em sistemas antiaéreos SAMP, NASAMS, IRIS e MICA.
• França: documentos revelam ordem para que hospitais estejam preparados, até março de 2026, para receber milhares de militares em eventual conflito em larga escala.
• Estônia: iniciou a construção de 40 km de trincheiras antitanque e cerca de 600 bunkers na fronteira com a Rússia, dentro da chamada Linha de Defesa do Báltico.
Exercício russo Zapad 2025
Como resposta, Moscou iniciou o exercício militar Zapad 2025, supervisionado por Vladimir Putin, com participação de 100 mil soldados e, pela primeira vez, de Índia e Irã. As manobras incluem lançamentos de mísseis hipersônicos Zircon, voos de bombardeiros nucleares Tu-160 e ações próximas às fronteiras de Polônia, Lituânia e Letônia.
Segundo o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, um dos cenários simulou operações sobre o corredor de Suwałki, corredor estratégico entre Belarus e o enclave russo de Kaliningrado. Varsóvia mobilizou 40 mil soldados na região.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que “a Otan está em guerra com a Rússia” ao apoiar Kiev de forma “direta e indireta”. Moscou não confirmou nem negou a autoria dos drones que violaram o espaço aéreo de Polônia e Romênia.
Ainda durante o Zapad 2025, o ditador belarusso, Alexander Lukashenko, reconheceu a presença de armas nucleares táticas russas nos exercícios, mas afirmou “não planejar ameaçar ninguém”.
Com informações de Gazeta do Povo