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Missionária irlandesa raptada no Haiti é libertada após quase um mês de cativeiro

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A missionária irlandesa Gena Heraty, diretora do orfanato Sainte-Hélène, em Kenscoff, nos arredores de Porto Príncipe, foi libertada na sexta-feira (29) depois de permanecer quase um mês sequestrada por integrantes de gangues haitianas.

Heraty estava entre as nove pessoas – incluindo uma criança de três anos – levadas no dia 3 de agosto. O rapto desencadeou apelos internacionais, entre eles o do primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, pela libertação do grupo.

Família agradece e pede privacidade

Em nota, os familiares da missionária confirmaram a libertação de todos os reféns e agradeceram “a todos, no Haiti e no exterior, que trabalharam incansavelmente durante essas semanas terríveis para garantir seu retorno seguro”. O comunicado menciona ainda o vice-primeiro-ministro irlandês e chanceler, Simon Harris, e a embaixadora da Irlanda nos Estados Unidos, Geraldine Byrne Nason, pelo apoio.

“No momento, nossa prioridade é a saúde, proteção e privacidade de Gena”, diz a família, que também expressou solidariedade às vítimas da violência armada no Haiti.

Autoridades confirmam estado de saúde

Simon Harris informou que todos os libertados “estão seguros e bem”. Ele elogiou a “resiliência e determinação” da família Heraty durante o período do cativeiro e reiterou o compromisso de oferecer assistência enquanto os ex-reféns se recuperam.

O apresentador da emissora irlandesa Mid West Radio, Tommy Marren, que já entrevistou a missionária em várias ocasiões, disse ter sentido “enorme alívio” ao saber da libertação e afirmou acreditar que Heraty continuará vendo o Haiti como seu lar.

Detalhes do sequestro

Responsável por um orfanato que acolhe mais de 240 crianças – muitas com deficiência – Heraty foi capturada quando homens armados invadiram a propriedade, arrombando uma parede sem disparar tiros, segundo o prefeito Massillon Jean. O jornal haitiano Le Nouvelliste atribui a ação a facções locais.

Kenscoff tem sido alvo frequente de ataques de gangues que, de acordo com a Organização das Nações Unidas, controlam cerca de 85% de Porto Príncipe. Ainda segundo a ONU, apenas no primeiro semestre de 2025 o Haiti registrou quase 350 sequestros, mais de 3.100 assassinatos e o deslocamento interno de aproximadamente 1,3 milhão de pessoas.

Apesar do reforço das forças de segurança haitianas, com apoio de policiais do Quênia e contratados estrangeiros que operam drones armados, grupos criminosos seguem fortemente armados e ativos na capital e em regiões próximas.

A libertação de Gena Heraty e dos demais reféns encerra um dos casos de sequestro mais comentados recentemente no país caribenho, mas a escalada de violência continua a preocupar autoridades locais e internacionais.

Com informações de Folha Gospel