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De líder do Comando Vermelho a pastor: a trajetória de Marcos “Cesinha” Cesar

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Conhecido nos anos 1990 e 2000 como “Cesinha”, um dos chefes do Comando Vermelho (CV) na favela Cidade de Deus, zona oeste do Rio de Janeiro, Marcos Cesar relata ter abandonado o crime após quase uma década na prisão. Em entrevista ao canal Poder de Deus Documentários, no YouTube, o ex-traficante contou como aderiu à fé cristã e se tornou pastor.

Infância e entrada no tráfico

Criado apenas pela mãe e pela avó, o jovem deixou a escola aos 13 anos. Aos 14, iniciou o consumo de maconha e cocaína e passou a trabalhar como “vapor” — responsável pela venda direta das drogas. A motivação, lembra ele, era suprir a falta de dinheiro em casa para itens básicos como roupas e alimentos.

Ascensão dentro da facção

Com 19 anos, Marcos tornou-se chefe do setor de embalagem de entorpecentes na comunidade. Nessa época, foi preso pela primeira vez e permaneceu três anos detido. Ao sair, ainda mais revoltado após perder a irmã em uma chacina, voltou ao crime e, ao lado do irmão gêmeo, assumiu o comando de parte da Cidade de Deus.

No período, conviveu com figuras emblemáticas do tráfico, como José Eduardo Barreto Conceição, o “Zé Pequeno”, inspiração para o personagem homônimo do filme “Cidade de Deus”, além de Valkyrie, outro traficante influente.

Segunda prisão e visitas de evangelização

Aos 25 anos, já liderando diversas comunidades pelo CV, Cesinha foi detido novamente dentro da favela. Condenado a dez anos, passou por Bangu 1, Bangu 2 e outras unidades prisionais. Foi nesse contexto que recebeu a visita do cristão Alexandre, que havia tentado evangelizá-lo anteriormente na comunidade. Mesmo sob forte resistência, Alexandre afirmou ter orado para que Marcos fosse preso e, assim, ouvisse a mensagem bíblica.

Transferido várias vezes, Marcos continuou recebendo visitas de Alexandre e de outros voluntários cristãos, que diziam jejuar por sua conversão. Influenciado também pela mudança de ex-comparsas que se tornaram evangélicos, o líder do CV começou a ler a Bíblia e a orar dentro da cadeia.

Conversão e nova vida

Durante nove anos e alguns meses de reclusão, Marcos afirma ter deixado as drogas e experimentado uma “transformação radical”. Ao conquistar a liberdade, decidiu romper com a facção: “A partir de hoje eu vou seguir minha vida com o Senhor. Não quero mais criminalidade”, declarou.

Hoje, ele atua como pastor, casado e pai de duas filhas. “O que eu merecia era o inferno, mas o Senhor teve misericórdia de mim”, afirmou ao canal.

Com informações de Guiame