São Paulo, 18 jan. 2026 – O ator Wagner Moura declarou que “O Agente Secreto”, longa que lhe garantiu o Globo de Ouro de melhor ator, não teria sido produzido sem o contexto político do governo Jair Bolsonaro (2019-2022). A afirmação foi feita em entrevista ao apresentador Jordan Klepper, no talk show norte-americano The Daily Show.
Moura contou que o projeto ganhou projeção internacional a partir do Festival de Cannes e revelou ter “agradecido” ironicamente ao ex-presidente em uma das cerimônias de premiação. “Sem ele, o filme não existiria”, disse.
Segundo o ator, a obra nasceu da “perplexidade” compartilhada com o diretor Kleber Mendonça Filho diante dos acontecimentos no Brasil entre 2018 e 2022. “Esse homem, eleito democraticamente, trouxe de volta valores da ditadura militar ao Brasil do século XXI”, afirmou.
Moura também comentou que, embora a ditadura tenha terminado em 1985, seus “ecos” continuam presentes no país e seriam materializados na figura de Bolsonaro. “Quando elegemos um presidente de extrema-direita em 2018, ele se tornou a manifestação física desses ecos”, declarou.
Durante a entrevista, o ator criticou ainda a Lei da Anistia de 1979, argumentando que “há coisas que não podem ser esquecidas nem perdoadas”. Para ele, o Brasil começa a superar esse “problema de memória” ao prender, pela primeira vez, pessoas acusadas de atacar a democracia. “O próprio Bolsonaro está na prisão. Ele jamais teria existido politicamente sem a anistia”, concluiu.
Com informações de Gazeta do Povo