São Paulo – O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do liquidado Banco Master, e o cunhado dele, o empresário e pastor Fabiano Zettel, foram transferidos na manhã desta quinta-feira (5) para a Penitenciária 2 de Potim, a cerca de 150 quilômetros da capital paulista.
Os dois passaram a noite no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos depois de serem presos na terceira fase da operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. Nesta etapa, a PF apura um suposto esquema de monitoramento, coação e ameaças a desafetos de Vorcaro, invasão de sistemas sigilosos de segurança pública e corrupção de servidores do Banco Central.
Vorcaro e Zettel deixaram o CDP já com uniformes do sistema prisional e seguiram em veículo da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). Ao chegarem a Potim, foram encaminhados a celas de isolamento, procedimento padrão até a posterior inclusão no pavilhão comum destinado a detentos do regime fechado.
A princípio, especulava-se que os presos fossem encaminhados à Penitenciária 2 de Tremembé, conhecida por abrigar condenados de grande repercussão. Contudo, alterações no perfil da unidade levaram o governo paulista a direcionar esse tipo de detento para Potim. Inaugurada em 2002, a P2 de Potim tem capacidade para 844 internos, mas abriga atualmente 472, segundo dados oficiais.
Defesa questiona falta de acesso às provas
Em nota, os advogados de Daniel Vorcaro criticaram a prisão, alegando que ela ocorreu sem que a defesa tivesse visto previamente as provas apresentadas pela Polícia Federal. A equipe pediu ao Supremo Tribunal Federal que determine à PF a entrega de informações objetivas que embasaram o pedido de prisão.
Entre os pontos solicitados estão: datas de mensagens atribuídas a Vorcaro; comprovação da existência de um grupo de mensagens chamado “A Turma”, supostamente usado para coagir testemunhas; registros de invasões a sistemas de órgãos públicos; dados sobre remoções de conteúdo em plataformas digitais; e documentos que mencionariam o bloqueio de R$ 2,2 bilhões numa conta em nome do pai do banqueiro.
Os defensores afirmam que o acesso integral aos autos é imprescindível para garantir o contraditório e a ampla defesa. A assessoria jurídica de Fabiano Zettel também declarou que o empresário segue à disposição das autoridades apesar de ainda não ter recebido o conteúdo completo da investigação.
Vorcaro, segundo a nota, “sempre esteve à disposição das autoridades e segue colaborando”, confiando que o amplo acesso ao processo permitirá o “correto esclarecimento dos fatos”.
Com informações de Gazeta do Povo