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Vieira classifica como “ataque à democracia” decisão de Gilmar que blindou sigilo da Maridt

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Brasília, 3 mar. 2026 – O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, afirmou que a liminar do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que derrubou a quebra dos sigilos da empresa Maridt Participações, “fere a democracia” ao impedir o acesso a informações de interesse público.

Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira (3), Vieira disse que o magistrado “reviveu um processo arquivado há três anos” para, segundo ele, criar um mecanismo que protege dados sobre movimentações financeiras envolvendo a Maridt, ligada a familiares do ministro Dias Toffoli.

A CPI apura suspeita de que o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, tenha usado a Maridt Participações para lavar dinheiro. Consta no quadro societário da firma os irmãos do ministro Toffoli, José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli.

“Hoje é mais simples quebrar o sigilo de um presidente da República do que de um ministro do STF”, declarou o parlamentar, ao comparar a dificuldade de investigar magistrados com o histórico de apurações envolvendo chefes do Executivo. Ele lembrou o episódio em que foram requisitados dados de Fábio Luís da Silva, o “Lulinha”, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A defesa da Maridt alegou que a autorização da CPI para acesso a dados bancários, fiscais, telefônicos e telemáticos, concedida em fevereiro, não guardava relação direta com o objeto da comissão, centrado em facções criminosas. O argumento foi acolhido por Gilmar Mendes, que suspendeu a medida.

A Transparência Internacional também se manifestou contra a decisão. Em nota publicada nesta terça-feira (3), a organização afirmou que o ministro adota “padrão recorrente” de favorecer investigados próximos, citando caso semelhante que, segundo a entidade, anulou investigações sobre suposta corrupção na Fundação Getulio Vargas (FGV), parceira do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), de propriedade de Mendes.

Para a ONG, o Senado deve agir para evitar que as apurações sobre o Banco Master tenham o mesmo desfecho das investigações relativas à FGV.

Com informações de Gazeta do Povo