Brasília – O vice-presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, deputado federal Duarte Jr. (PSB-MA), denunciou nesta quinta-feira (6) ter sido ameaçado de morte pelo correligionário Edson Araújo (PSB-MA), deputado estadual citado em inquérito da Polícia Federal que apura descontos ilegais em benefícios previdenciários.
De acordo com Duarte, as mensagens chegaram pelo WhatsApp logo após ele mencionar o nome de Araújo em sessão anterior da CPMI. O parlamentar registrou boletim de ocorrência na Polícia Legislativa da Câmara e solicitou proteção para si e para a família. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), autorizou escolta imediata e informou que encaminhará o pedido ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Conteúdo das mensagens
Segundo o relato, Araújo chamou o colega de “palhaço”, “irresponsável” e “incompetente”, acrescentando: “nós ainda vamos nos encontrar”. Questionado se se tratava de ameaça, respondeu: “tô, por quê?”. Em seguida escreveu: “você é um merda irresponsável. Você vai ter que provar tudo que falou ou vai se arrepender. Você vai saber”.
Supostos repasses milionários
A troca de mensagens ocorreu depois de Duarte questionar repasses da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA) — presidida por Abraão Lincoln Ferreira da Cruz — a Edson Araújo e a assessores do deputado estadual. Conforme o vice-presidente da CPMI, mais de R$ 3,5 milhões teriam sido transferidos para a conta pessoal de Araújo e cerca de R$ 1,5 milhão para servidores de seu gabinete, valores que teriam origem em R$ 123 milhões subtraídos de aposentados e pensionistas.
Investigação da Polícia Federal aponta ainda que Araújo recebeu R$ 5,4 milhões entre maio de 2023 e maio de 2024 da Federação das Colônias dos Pescadores do Maranhão, entidade apontada como participante do esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS.
Pedidos à CPMI e à Assembleia
Diante das ameaças, Duarte solicitou à CPMI a convocação de Edson Araújo para prestar depoimento, além da quebra do sigilo bancário do deputado estadual e de organizações envolvidas nas transações. O parlamentar também pediu à Assembleia Legislativa do Maranhão a abertura de processo por quebra de decoro contra o colega de partido.
“Apesar de dizerem que a CPMI flopou, nosso objetivo é devolver o dinheiro de quem foi lesado”, afirmou Duarte, visivelmente emocionado ao mencionar que sua esposa está grávida de oito meses.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de Edson Araújo por telefone e e-mail, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto para manifestação.
Com informações de Gazeta do Povo