Brasília – O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), e o senador Eduardo Girão (Novo-RN) afirmaram nesta quinta-feira (28.ago.2025) que não existe qualquer acordo para impedir a convocação de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Rumores sobre um suposto entendimento para poupar Frei Chico circularam na terça-feira (26) e foram relatados, de forma anônima, por dois parlamentares que integram a comissão, dois assessores de oposição e um assessor do Palácio do Planalto.
Durante a sessão desta quinta, Girão declarou ter “certeza” de que não houve acerto e citou “clamor natural da população” para ouvir todos os envolvidos no esquema de fraudes contra aposentados. Viana reiterou que “toda e qualquer pessoa poderá ser chamada” e classificou as informações de bastidores como “fake news”.
Frei Chico e o Sindnapi
Vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), Frei Chico não aparece oficialmente como alvo da investigação. Entretanto, o repasse do INSS ao sindicato saltou de R$ 23 milhões em 2020 para R$ 154 milhões em 2024, aumento de 564%.
Discussão sobre o plano de trabalho
A polêmica surgiu na votação do plano de trabalho elaborado pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). O líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues (PT-AP), questionou a falta de debate prévio. Viana, então, suspendeu a reunião para que governo e oposição negociassem o texto em uma sala ao lado do plenário.
Nesse intervalo, parlamentares teriam concordado em convocar, na fase inicial, apenas ex-presidentes da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev), presidentes do INSS e diretores de Benefícios. A convocação do atual ministro da Previdência, Wolney Queiroz, e de ex-ministros foi transformada em convite. Como Frei Chico ocupa a vice-presidência do Sindnapi, ficaria fora dessa primeira lista.
Ao retornar à sessão, Viana leu o acordo: “Requerimentos de convocação das pessoas que detiveram ou detêm os seguintes cargos a partir de 2015: presidente do INSS, diretores de Benefícios, presidentes da Dataprev e presidentes de entidades e associações cujos ACTs estiveram ou estejam vigentes desde 2015”.

Imagem: Waldir Barreto
Versões divergentes
Girão disse ter conversado com o deputado Marcel van Hatten (Novo-RS) e com o senador Rogério Marinho (PL-RN); ambos negaram pacto para excluir Frei Chico. Já fontes que confirmaram o acordo à reportagem alegam que a oposição aceitou o arranjo para facilitar a votação de outros requerimentos e evitar a convocação do ex-ministro da Economia Paulo Guedes, em troca de incluir o ex-ministro da Previdência Onyx Lorenzoni.
O senador Marcos Rogério (PL-RO) lembrou que “os acordos firmados hoje são a fotografia do momento” e não impedem futuras convocações: “Pretendo questionar por que as investigações não avançaram em relação a ele [Frei Chico]”.
Até o momento, a CPMI mantém a possibilidade de chamar qualquer pessoa que apareça nos depoimentos ou em documentos obtidos pela comissão e pela Polícia Federal.
Com informações de Gazeta do Povo