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Veto de Lula sobre dosimetria vira moeda de troca para Centrão frear CPMI do Banco Master

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Brasília, 27 de fevereiro de 2026 — Lideranças do Centrão articulam derrubar, em março, o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto que altera a dosimetria das penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Em contrapartida, o bloco tenta reduzir a pressão da oposição pela instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigaria supostas fraudes envolvendo o Banco Master.

O acordo é conduzido nos bastidores pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), e pelo presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), ambos contrários à leitura do requerimento que criaria a CPMI. A avaliação interna é de que a comissão poderia provocar desgaste político generalizado em ano eleitoral.

Votação do veto

Alcolumbre sinalizou a líderes partidários que pretende convocar sessão conjunta no início de março para analisar o chamado PL da Dosimetria. Para derrubar o veto são necessários 257 votos na Câmara e 41 no Senado — números considerados alcançáveis pela oposição, que lembra ter aprovado o texto original com 291 votos de deputados e 48 de senadores.

Divergências na oposição

Entre oposicionistas, não há consenso sobre trocar a CPMI pela derrubada do veto. O deputado Zé Trovão (PL-SC) defende um recuo temporário na instalação da comissão: “É mais importante soltar os inocentes do que fingir que vai prender verdadeiros culpados”. Ele afirma ter discutido a proposta com o deputado Carlos Jordy (PL-RJ), autor do pedido da CPMI.

Outra ala oposicionista, porém, resiste à ideia. Parlamentares desse grupo argumentam que já existem votos suficientes para anular o veto presidencial e que abrir mão da investigação blindaria possíveis envolvidos no caso Banco Master, além de reduzir o desgaste do ministro do STF Dias Toffoli, alvo de dez pedidos de impeachment no Senado.

Preocupações do Centrão e do PT

Partidos do Centrão — entre eles União Brasil, Progressistas (PP) e MDB — temem que a CPMI atinja figuras influentes. No PT, aliados do governo preferem uma CPI restrita à Câmara, voltada às operações do Banco Master com o BRB, o que, na avaliação da oposição, reduziria o alcance das investigações.

Até o momento, apenas o senador Fabiano Contarato (PT-ES) assinou o pedido de CPMI pela bancada petista no Senado.

Com informações de Gazeta do Povo