Brasília — O vereador Rony Gabriel (PL-RS), de Erechim, confirmou à Polícia Federal que recebeu proposta para integrar uma ofensiva nas redes sociais em favor do Banco Master e do banqueiro Daniel Vorcaro, preso preventivamente na Penitenciária Federal de Brasília desde o início de março.
Em depoimento prestado na semana passada, o parlamentar relatou que o primeiro contato ocorreu por meio de WhatsApp, quando André Salvador, representante da agência UNLTD, apresentou um “serviço de gestão de crise” para um “grande executivo”. Somente numa reunião virtual via Google Meet, segundo Gabriel, foi revelado que o cliente era Vorcaro, pivô da liquidação do Banco Master decretada pelo Banco Central (BC) no fim de novembro do ano passado.
Ao tomar conhecimento do real objetivo — criar publicações que exaltassem o banco e atacassem o BC —, o vereador afirma ter recusado a oferta. Ele foi o primeiro influenciador a tornar público o suposto esquema, ainda em dezembro, e seu relato serviu de base para a abertura do inquérito federal.
Mobilização coordenada
Levantamento da PF aponta que a campanha ganhou força no fim de dezembro de 2025, alcançando o pico no dia 27, com 4.560 postagens críticas à autoridade monetária. Investigadores sustentam que a operação buscava pressionar a opinião pública e facilitar uma possível reversão da liquidação no Tribunal de Contas da União (TCU).
Mensagens extraídas do celular de Vorcaro mostram tratativas semelhantes voltadas a influenciadores e veículos de imprensa. Nos diálogos, o banqueiro propunha contratos de patrocínio em troca de publicações favoráveis e ataques a “inimigos”. Os registros são anteriores à primeira prisão do empresário, em novembro, e foram usados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para embasar a nova ordem de prisão.
Daniel Vorcaro permanece detido enquanto a PF aprofunda a investigação sobre a suposta rede de desinformação financiada para defender o Banco Master e afrontar o Banco Central.
Com informações de Gazeta do Povo