Brasília, 19 set. 2025 – O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, declarou que uma eventual candidatura do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) à Presidência da República, contrariando a vontade de Jair Bolsonaro, “pode ajudar a matar” o ex-chefe do Executivo.
A afirmação foi feita em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, na qual Valdemar disse esperar que Jair Bolsonaro seja o nome da direita em 2026. Caso o ex-presidente permaneça inelegível, caberia a ele escolher um substituto.
Questionado se Eduardo acataria a decisão do pai, o dirigente respondeu que o parlamentar “tem que obedecer”, pois “os votos que ele tem são por causa do pai, não por causa dele”. Em seguida, acrescentou: “Vai ajudar a matar o pai de vez? Porque o que o Bolsonaro está passando, Nossa Senhora”.
Resposta de Eduardo
Em mensagem enviada à coluna de Bela Megale, no jornal O Globo, Eduardo Bolsonaro classificou a declaração como “canalhice” e cobrou um pedido público de desculpas do presidente do partido. “Dizer que um filho ajudaria a matar o próprio pai se não aceitar chantagens é de uma canalhice que não esperava nem mesmo de você, Valdemar”, afirmou.
O deputado também criticou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por tentar negociar o “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos ao Brasil.
Cenário eleitoral
Tarcísio aparece como principal cotado para a disputa presidencial, mas reiterou nesta quarta-feira (17) a intenção de concorrer à reeleição estadual. Valdemar, contudo, disse que Jair Bolsonaro é imprevisível e poderia indicar qualquer nome, citando até o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD).
Movimentações nos Estados Unidos
Desde março, Eduardo Bolsonaro reside nos EUA para articular sanções contra autoridades brasileiras, especialmente o ministro do STF Alexandre de Moraes, relator de inquéritos que envolvem o ex-mandatário. O deputado condiciona a aprovação de uma anistia “ampla, geral e irrestrita” à negociação das tarifas americanas.
A Câmara aprovou na quarta-feira (17) o regime de urgência para o projeto de anistia, por 311 votos a 163. Relator da matéria, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) afastou a possibilidade de perdão total, defendendo apenas redução de penas.
No último dia 11, a Primeira Turma do Supremo condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado; outros sete réus do chamado “núcleo crucial” também foram sentenciados.
Com informações de Gazeta do Povo