Brasília – 16/09/2025. Condenado a 27 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sob acusação de tramar um golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro segue no centro das articulações do Partido Liberal (PL). O presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, tenta reposicionar o partido em direção ao campo de centro, sem perder o eleitorado conservador que sustenta a legenda desde 2022.
Em declarações recentes, Valdemar reconheceu formalmente a decisão do STF como sinal de respeito institucional, mas cobrou que o Congresso exerça a prerrogativa de votar uma anistia que devolva os direitos políticos de Bolsonaro. “A condenação precisa ser respeitada, porém o Parlamento pode conceder perdão”, reiterou.
Redução do conflito com o Judiciário
A estratégia inclui diminuir o tom de confronto com o STF e abrir espaço para composições com partidos de centro-direita de olho na eleição de 2026. Valdemar afirmou já contar com PP e União Brasil a favor da anistia e pressiona o Republicanos a endossar o movimento, liderado publicamente pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Declarações sobre 8 de Janeiro
No Rocas Festival, em Itu (SP), no dia 13, o dirigente disse que “se falou muito em golpe”, classificando os atos de 8 de Janeiro como “baderna de pés-de-chinelo” com possível presença de infiltrados. Após críticas de aliados de Bolsonaro, voltou atrás e alegou ter usado um exemplo hipotético, ressaltando não ter havido planejamento real.
Na mesma ocasião, declarou não duvidar das urnas eletrônicas, embora defenda ajustes para reforçar a confiabilidade. Segundo ele, a contestação apresentada pelo PL após o segundo turno de 2022 atendeu a pressões internas.
Analistas veem retorno ao perfil centrista
Para Leandro Gabiati, da consultoria Dominium, o movimento confirma o histórico pragmatismo de Valdemar, que “sempre atuou no centro”. Marcus Deois, da Ética, considera, porém, que o reposicionamento enfrentará resistência, pois muitos parlamentares dependem diretamente da militância bolsonarista.
Papel de Bolsonaro e disputa interna
Valdemar sustenta que Bolsonaro continuará “figura inspiradora”, comparando seu potencial de transferência de votos ao de Che Guevara para a esquerda. Caso a inelegibilidade se consolide, o PL deve seguir a orientação do ex-presidente sobre quem apoiar em 2026, citando Tarcísio de Freitas como opção.
A possível ascensão de Tarcísio cria tensão interna. O deputado Eduardo Bolsonaro (SP), apontado por Valdemar como líder da “ala da direita” no partido, ameaça deixar a sigla se o governador paulista se filiar. O parlamentar aposta numa anistia impulsionada também por pressões dos Estados Unidos para recuperar a elegibilidade do pai; em cenário adverso, coloca-se como alternativa à corrida presidencial.
Com informações de Gazeta do Povo