Brasília — O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que o chefe do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), “trabalha para o Supremo Tribunal Federal” e “vai pagar caro” caso não acolha as pautas da oposição sobre a anistia aos investigados pelos atos de 8 de janeiro.
Em entrevista à rádio Itatiaia, concedida na quinta-feira (18), Valdemar disse que Alcolumbre “não trabalha para o Senado” e ameaçou travar as votações caso o projeto de anistia ampla seja substituído por propostas de redução de penas. “Nossa única arma é a obstrução. Se não for por bem, começamos a parar os trabalhos, o que é muito ruim para o Senado”, declarou.
Críticas à condução do Senado
Segundo o dirigente do PL, o comportamento de Alcolumbre “tem deixado muito a desejar” e pode comprometer sua tentativa de reeleição ao comando da Casa. Ele citou o caso do senador Marcos do Val (Podemos-ES), que precisou usar tornozeleira eletrônica por ordem do ministro Alexandre de Moraes. “Alcolumbre não teve peito para enfrentar”, reclamou.
Anistia e inelegibilidade de Bolsonaro
Valdemar reforçou que a anistia pretendida pelo PL deve incluir a reversão da inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro, classificada por ele como “uma injustiça que não tem tamanho”. “Vamos até o fim nessa história”, enfatizou.
PEC da Imunidade
O presidente do PL também defendeu a PEC 3/21, conhecida como PEC da Imunidade, que limita operações e prisões de parlamentares. Para ele, a proposta devolve prerrogativas perdidas ao longo dos anos. “Se não, amanhã só gente ruim vai querer ser deputado”, justificou. Valdemar disse acreditar ter votos suficientes para aprovar o texto, ainda que o tema encontre resistência no Senado.
Resposta de Alcolumbre
Em plenário, Alcolumbre afirmou que a pressão da oposição tornou “impossível” discutir matérias de interesse da população. Ele criticou ameaças de obstrução “24 horas por dia” e apontou senadores que se concentram apenas em debates sobre o Judiciário e impeachment de ministros do STF. O senador também atacou o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), a quem acusou de “instigar um país contra o meu país” durante viagem aos Estados Unidos.
Declarações recentes de Valdemar
Na semana passada, Valdemar disse que houve planejamento de golpe no Brasil, mas negou crime, pois “o golpe não foi efetivado”. Após repercussão negativa, recuou afirmando ter falado “no campo do imaginário”. Nesta sexta-feira (19), declarou que uma eventual candidatura de Eduardo Bolsonaro à Presidência “pode ajudar a matar o pai”, frase classificada pelo deputado como “canalhice”.
As declarações mantêm acesa a tensão entre a cúpula do PL, o comando do Senado e o Supremo Tribunal Federal.
Com informações de Gazeta do Povo