Brasília — O presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), Kleber Cabral, afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) age para “criar um discurso de vítima” ao mandar investigar o suposto vazamento de dados de ministros da Corte, de seus familiares e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Em entrevista publicada nesta quinta-feira (19/02/2026) pelo jornal O Globo, Cabral classificou as medidas autorizadas pelo relator Alexandre de Moraes como “intimidatórias” e “desproporcionais”. “Nossa leitura é que houve um método para gerar um falso positivo, construir a narrativa de que o STF foi atacado”, declarou.
Quatro servidores sob medidas restritivas
A decisão incluiu quatro servidores da Receita Federal no inquérito das fake news, aberto em 2019. Eles foram alvo de busca e apreensão, tiveram os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados, foram afastados das funções e passaram a usar tornozeleira eletrônica. Também estão proibidos de sair de suas cidades e de acessar os bancos de dados do órgão.
Cabral revelou ainda que auditores evitam fiscalizar autoridades receosos de retaliações. Segundo ele, a divulgação dos nomes dos investigados pelo STF reforçou esse clima de temor.
Entidade vê “bodes expiatórios”
Logo após a abertura da investigação, a Unafisco divulgou nota afirmando que os auditores da Receita Federal “não podem, mais uma vez, ser transformados em bodes expiatórios em meio a crises institucionais”. A associação lembrou episódio de 2019 em que dois servidores também foram afastados por determinação de Moraes e defendeu respeito ao devido processo legal, à presunção de inocência e à proporcionalidade das medidas.
O Supremo não se manifestou até o momento sobre as críticas da entidade.
Com informações de Gazeta do Povo