O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli atribui ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a ordem para que a Polícia Federal encaminhasse diretamente à Corte um relatório que expõe ligações do magistrado com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A informação foi divulgada pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, nesta sexta-feira (14).
Segundo a colunista, Toffoli disse a interlocutores que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, não teria remetido o dossiê ao STF sem autorização expressa de Lula. O documento, entregue ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, reúne registros de ligações telefônicas, mensagens e movimentações financeiras envolvendo, direta ou indiretamente, o magistrado.
Encontro com PGR e pressão no Supremo
Horas antes de Toffoli deixar a relatoria do processo referente às fraudes no Banco Master — decisão tomada após pressão de outros ministros —, Lula se reuniu com o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Na conversa, o presidente cobrou do PGR uma investigação rigorosa sobre o caso. Como chefe do Ministério Público Federal, Gonet possui a prerrogativa de requerer a suspeição de ministros do STF.
Ferida aberta desde 2019
Ainda de acordo com Malu Gaspar, Toffoli acredita que Lula age motivado por ressentimento. O ministro recorda o episódio de 2019, quando o então preso Lula solicitou autorização judicial para comparecer ao enterro do irmão Genivaldo Inácio da Silva, o “Vavá”. Na ocasião, Toffoli — presidente do STF e de plantão no recesso — autorizou a saída apenas minutos antes da cerimônia e impôs que o velório ocorresse em um quartel militar, impossibilitando a presença do ex-presidente. Lula acabou desistindo da viagem.
Indicado ao Supremo por Lula em 2009, Toffoli e o chefe do Executivo voltaram a ter contato próximo apenas no fim de 2024, mas, conforme o ministro relata a aliados, a mágoa pelo episódio familiar permaneceu.
Com informações de Gazeta do Povo