O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli diminuiu de forma significativa suas estadias no Tayayá Aqua Resort, em Ribeirão Claro, Norte do Paraná, após o início das operações Carbono Oculto (agosto de 2025) e Compliance Zero (novembro de 2025) da Polícia Federal. As duas investigações miram suspeitas de lavagem de dinheiro, uso irregular de fundos de investimento e a venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB).
Registros de diárias apontam queda nas visitas
Levantamento feito a partir das diárias pagas a seguranças que acompanham o ministro mostra ausência de registros de hospedagem entre 28 de agosto e 30 de novembro de 2025 — período em que as operações da PF ganharam força. Os dados constam do site do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), responsável pela liberação dos agentes que prestam apoio ao magistrado. O tribunal não comentou as informações.
Os relatórios analisados pela reportagem ainda não incluem dezembro de 2025, mês em que o ministro teria, segundo relatos, passado as festas de fim de ano no local e promovido um evento particular.
Cerca de 100 dias hospedado em três anos
De dezembro de 2022 a agosto de 2025, Toffoli esteve aproximadamente 100 dias no Tayayá, segundo as planilhas de liberação de servidores. Nesse intervalo, até cinco agentes chegaram a ser deslocados simultaneamente para o resort. O custo total das diárias ao erário foi de cerca de R$ 450 mil.
O ano de 2025 concentrou a maior parte das estadias: em torno de 40 dias hospedado até novembro. Somente em julho foram registradas 20 diárias divididas nos períodos de 3 a 13, 18 a 22 e 25 a 31, prolongando-se de 1.º a 4 de agosto. Nesse mesmo mês de julho, o TRT-2 desembolsou R$ 192 mil em diárias gerais; 59 % (R$ 113,4 mil) referiam-se à equipe que estava com Toffoli no resort.
Relação do ministro com o empreendimento
O Tayayá foi construído e administrado por dois irmãos de Dias Toffoli. A família se desfez da participação societária em etapas concluídas até o primeiro semestre de 2025. Parte das cotas foi adquirida pelo Arleen Fundo de Investimento em Participações, ligado ao Banco Master e administrado pela Reag Investimentos, instituição que passou a ser investigada nas operações da PF.
Além do vínculo familiar, Toffoli mantém residência e embarcação no complexo e recebeu, em 2019, o título de cidadão honorário de Ribeirão Claro. Visitas ao município chegaram a ocorrer em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB).
Conexão com o caso Banco Master
Dias Toffoli é relator no STF de processos envolvendo o Banco Master, incluindo questionamentos sobre a venda da instituição ao BRB. Apesar de não haver, até o momento, comprovação de ilegalidade na relação do ministro com o resort, a coincidência entre as investigações e sua presença no local tem sido apontada como ponto de atenção.
O ministro foi procurado para comentar a redução das visitas ao Tayayá, mas não respondeu até a publicação da reportagem. O espaço permanece aberto.
Com informações de Gazeta do Povo