Brasília — O ministro Dias Toffoli deixou, na noite desta quinta-feira (11), a relatoria do inquérito que apura irregularidades envolvendo o Banco Master. A decisão foi oficializada após reunião de emergência convocada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. O processo será sorteado para novo relator ainda nesta quinta.
Em nota conjunta, os demais dez ministros da Corte afastaram qualquer hipótese de suspeição ou impedimento de Toffoli e declararam “plena validade” de todos os atos praticados por ele no inquérito principal e em procedimentos conexos. “Expressam, neste ato, apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento”, registra o documento.
Pressão e reunião de emergência
A reunião na Presidência do STF começou no fim da tarde e durou 2 horas e 15 minutos; uma segunda rodada, de 30 minutos, definiu os detalhes da saída de Toffoli. Ao deixar o prédio sozinho, o ministro limitou-se a dizer que o clima do encontro foi “excelente”.
A mobilização ocorreu depois de a Polícia Federal (PF) entregar a Fachin um relatório extraído do celular do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, contendo mensagens que citam Toffoli. O material relata conversas, menções a pagamentos e convite para uma festa. O ministro nega qualquer vínculo com o banqueiro e classifica as mensagens como ilações.
Pedido partiu do próprio Toffoli
Segundo a nota do Supremo, a iniciativa de deixar a relatoria partiu do próprio Toffoli, “considerados os altos interesses institucionais”. O ministro invocou o artigo 21, inciso III, do Regimento Interno da Corte, que permite ao relator submeter questões à Presidência para garantir o andamento regular dos processos.
Negócios em resort paranaense
Pela manhã, Toffoli confirmou ser sócio da Maridt, empresa de sua família que detinha participação no resort Tayaya, em Ribeirão Claro (PR). Segundo ele, as cotas foram vendidas em 2021 ao Fundo Arleen e, em 2025, à PHD Holding. O Arleen recebeu investimentos de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, também investigado por fraudes no mercado financeiro.
Com a redistribuição, a Presidência do STF informará o nome do novo relator assim que o sistema eletrônico concluir o sorteio. Todos os atos já praticados permanecem válidos, conforme o comunicado assinado pelos ministros Luiz Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Luiz Fux, André Mendonça, Nunes Marques, Cristiano Zanin e Flávio Dino.
O inquérito segue em segredo de Justiça.
Com informações de Gazeta do Povo