O ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmou que uma anistia concedida somente pelo Congresso aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro corre o risco de ser declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita na noite de segunda-feira (15), durante entrevista ao programa Roda Viva.
Temer ressaltou que determinados crimes ligados ao Estado Democrático de Direito, como tentativa de golpe e depredação de prédios públicos, podem não admitir anistia ampla. “Se o Parlamento aprovar sozinho, o STF pode barrar”, advertiu, ao destacar a necessidade de diferenciar o clamor popular das decisões judiciais já tomadas.
Como alternativas, o ex-presidente sugeriu que o próprio STF realize a redosimetria das penas — revisão que pode reduzir sentenças ou convertê-las em prestação de serviços comunitários, mediante provocação das defesas. Outra possibilidade apontada é uma mudança legislativa que diminua as penas previstas para os crimes em questão; pela retroatividade da lei mais benéfica, os condenados seriam automaticamente favorecidos.
Para Temer, qualquer saĂda deve resultar de um pacto nacional que envolva os trĂŞs Poderes, a sociedade civil e atĂ© setores da oposição. “NĂŁo adianta o Congresso aprovar e o STF derrubar depois; isso sĂł agravaria o conflito institucional”, argumentou.
Ele tambĂ©m comentou a declaração do ministro do STF Flávio Dino, que afirmara que “anistia nĂŁo Ă© sinĂ´nimo de paz”. Temer concordou parcialmente e reiterou que apenas uma decisĂŁo construĂda em conjunto pode efetivamente pacificar o paĂs.
O ex-presidente concluiu que a discussĂŁo sobre anistia Ă© “delicada” e exige responsabilidade polĂtica, respeito Ă s decisões judiciais e busca de consenso amplo para evitar novos atritos entre as instituições.
Com informações de Gazeta do Povo