Brasília – O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu investigação para verificar possíveis irregularidades na participação de servidores públicos federais no desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Carnaval de 2026.
Em despacho assinado em 24 de março, o ministro Augusto Nardes determinou que a Casa Civil e a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência apresentem esclarecimentos em até 15 dias. Os órgãos devem:
- informar a relação nominal de todos os servidores da Presidência deslocados para o Rio de Janeiro entre 1º e 18 de fevereiro;
- detalhar gastos com diárias, passagens aéreas e terrestres, hospedagem e horas extras;
- explicar a suposta utilização de servidores no carro alegórico “Amigos do Lula”, incluindo envio de convites, controle de lista de presença e coleta de medidas para fantasias.
Nardes questiona o “amparo normativo” para o emprego de pessoal do cerimonial em atividades ligadas ao desfile e afirma que o uso da máquina pública “demanda apuração quanto à legalidade e à aderência ao interesse público”.
Representação de parlamentares
A apuração atende a representação apresentada pelos deputados federais Adriana Ventura (Novo-SP), Gilson Marques (Novo-SC), Luiz Lima (Novo-RJ), Marcel van Hattem (Novo-RS), Ricardo Salles (Novo-SP) e pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE).
Escola foi rebaixada
Com enredo dedicado ao presidente, a Acadêmicos de Niterói terminou na última colocação do Grupo Especial, somando 264,6 pontos, e foi rebaixada para a Série Ouro. A agremiação recebeu críticas pela ala “Neoconservadores em Conserva”, que exibia famílias retratadas dentro de latas com referências religiosas, gerando reação de parlamentares e internautas que lançaram a trend #FamíliaEmConserva.
A primeira-dama Janja chegou a ser anunciada como destaque no carro “Amigos do Lula”, mas desistiu pouco antes do desfile e acompanhou a apresentação ao lado do presidente, em camarote da prefeitura do Rio.
Questionado sobre a repercussão negativa entre grupos evangélicos, Lula declarou em 22 de fevereiro, durante coletiva na Índia, que não participou da concepção do desfile e limitou-se a dizer que apenas foi homenageado pela escola.
Com informações de Gazeta do Povo