Brasília – A 2ª Turma do Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu, em 26 de maio, arquivar a representação apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contra Carla Ariane Trindade, ex-nora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O parlamentar acusava a empresária de ter sido favorecida em suposto contrato entre o Ministério da Educação (MEC) e a Life Tecnologia Educacional Ltda.
Relator do processo, o ministro Jonathan de Jesus concluiu que a peça protocolada no tribunal não apresentou “indícios mínimos” de irregularidades. Segundo o acórdão, a denúncia baseou-se essencialmente em reportagens jornalísticas sem documentos que comprovassem a existência de licitações, contratos ou pagamentos federais.
Falta de recursos da União
Análise da área técnica do TCU não identificou qualquer vínculo contratual entre o MEC e a Life Tecnologia Educacional. Uma verificação mais ampla localizou apenas um contrato da empresa com a Secretaria Municipal de Educação de Hortolândia (SP), firmado em 2025 e financiado com recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).
Como o município não recebeu complementação da União nos exercícios de 2025 e 2026, o tribunal concluiu que os valores aplicados têm natureza estadual e municipal. Nesses casos, a fiscalização cabe ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). Uma cópia integral dos autos foi encaminhada ao órgão paulista para eventual apuração.
Origem da representação
O pedido de Flávio Bolsonaro se baseou na Operação Coffe Break, da Polícia Federal, deflagrada em novembro de 2025. A investigação apura possíveis fraudes em contratos de kits e livros escolares firmados por três municípios, incluindo Hortolândia, que totalizam R$ 70 milhões. Os agentes apontaram suspeitas de superfaturamento e envio de recursos a empresas de fachada.
Os investigadores também analisam a hipótese de Carla Ariane ter sido chamada para trabalhar na Life Tecnologia Educacional por ter sido casada com Marcos Cláudio Lula da Silva, filho biológico da ex-primeira-dama Marisa Letícia e adotivo de Lula. As investigações da PF seguem em curso.
Com a decisão de arquivamento, o TCU poderá retomar o caso apenas se surgirem indícios concretos de verbas federais envolvidas nos contratos suspeitos.
Com informações de Gazeta do Povo