São Paulo — O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), declarou nesta quinta-feira, 27 de novembro, não ver “nenhum absurdo” em adotar prisão perpétua no Brasil. A afirmação foi feita durante a reunião anual da XP Asset Management, realizada na capital paulista.
Tarcísio citou as frequentes liberações em audiências de custódia para justificar a necessidade de penas mais severas. Segundo ele, o país “precisará discutir mudanças radicais” na legislação penal. A Constituição Federal proíbe penas de caráter perpétuo, limitação considerada pelo governador mais rígida que a previsão de pena de morte em caso de guerra declarada.
Contexto de segurança pública
O tema ganhou força após a Operação Contenção, deflagrada há um mês no Complexo da Penha, Rio de Janeiro. A ação resultou em 122 mortes — entre elas cinco policiais —, 113 presos e a apreensão de 460 armas, tornando-se a operação policial mais letal já registrada no país.
Cenário político para 2026
Apontado como possível candidato ao Planalto em 2026, Tarcísio reiterou que pretende buscar a reeleição em São Paulo. Ainda assim, seu nome é defendido por lideranças da direita, como o presidente do PSD, Gilberto Kassab, que sinalizou retirar as pré-candidaturas de Ratinho Junior e Eduardo Leite caso o governador paulista entre na disputa nacional.
Nas redes sociais, críticos o classificam como representante do “sistema”, em referência ao alinhamento com setores do Centrão e do mercado financeiro.
Economia e relação com o Legislativo
No evento da XP, o governador mencionou a necessidade de uma reforma orçamentária que inclua desvinculação de receitas, lembrando a gestão do ex-ministro da Economia Paulo Guedes. Ao comentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou acreditar que “a maioria absoluta da população” prefere que Lula não concorra à reeleição.
Para o próximo ciclo presidencial, Tarcísio defendeu que o chefe do Executivo faça do Congresso um “sócio” das realizações do governo. “Se o Parlamento participar das vitórias, as reformas avançam mais rápido”, argumentou.
Questionado sobre o calendário eleitoral, o governador afirmou que a direita deve definir seu candidato “no início do ano que vem” e aconselhou cautela: “O mercado é ansioso; quer precificar tudo muito rápido”.
Com informações de Gazeta do Povo