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Tarcísio assume protagonismo na defesa da anistia enquanto críticas ao STF ganham as ruas

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São Paulo – Em ato realizado na Avenida Paulista no feriado de 7 de Setembro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reforçou a pauta de anistia aos réus de 8 de janeiro e atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), chamando-o de “ditador”. O protesto, batizado de “Reaja Brasil: o medo acabou”, reuniu dezenas de milhares de pessoas e cobrou também o impeachment do magistrado.

Tensão entre Poderes

Tarcísio afirmou que “ninguém aguenta mais a tirania” de Moraes, contestou a delação de Mauro Cid sobre os fatos de 8 de janeiro e pediu que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), coloque a anistia em votação imediata. O governador declarou ainda que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é “o único candidato” para 2026.

No Congresso, o tema da anistia já vinha avançando antes do julgamento de Bolsonaro na Primeira Turma do STF, iniciado na semana passada. O veredicto, sobre suposta trama golpista, está previsto para 12 de setembro.

Reações imediatas

As falas provocaram resposta de ministros do Supremo. Gilmar Mendes negou haver “ditadura da toga”, e o presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, lembrou que os julgamentos são públicos. No Legislativo, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), acusou Tarcísio de coação sobre o STF. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que “caiu a máscara” do governador.

Ausência do STF em Brasília

Mais cedo, em Brasília, nenhum ministro do Supremo compareceu ao palanque do desfile militar nem à cerimônia oficial do 7 de Setembro ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A ausência coletiva foi considerada incomum; no ano anterior, Moraes, Barroso e Edson Fachin estiveram presentes.

Leituras políticas

Para o professor Adriano Cerqueira, do Ibmec-BH, Tarcísio se consolida como nome de consenso entre direita e centro-direita para 2026, enquanto o governo e o STF demonstram fragilidade. O analista Leonardo Barreto, da Think Policy, avalia que o 7 de Setembro marcou uma guinada do governador, que abandonou o perfil moderado ao rotular Moraes de “ditador”.

Resistência à anistia ampla

Mesmo em avanço na Câmara, a anistia ampla enfrenta oposição no Senado, conduzido por Davi Alcolumbre (União-AP), e entre ministros do STF. O PT promete acionar o tribunal caso o perdão inclua Bolsonaro, e o Palácio do Planalto cogita veto presidencial, segundo o líder petista Lindbergh Farias.

Mobilização nacional

Em outros atos pelo país, aliados de Bolsonaro reiteraram o pedido de anistia total. No Rio, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que o STF “deve entregar a cabeça” de Moraes; em São Paulo, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou 41 assinaturas por impeachment do ministro; em Goiânia, o deputado Gustavo Gayer (PL-GO) discursou em português e inglês em defesa do perdão “total, amplo e irrestrito”.

Bandeiras dos EUA e repercussão internacional

Uma bandeira gigante dos Estados Unidos foi estendida em frente ao Masp, gesto que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) descreveu nas redes como agradecimento ao presidente americano Donald Trump. A ministra Gleisi Hoffmann (PT) criticou o uso de símbolos estrangeiros. O The New York Times e outros veículos destacaram a presença de ícones norte-americanos nos protestos.

Apesar da exaltação ao vínculo com Trump, o organizador do ato da Paulista, pastor Silas Malafaia, declarou que não pretende repetir a exibição de símbolos dos EUA em eventos futuros.

Com informações de Gazeta do Povo