Roma, 7 de outubro de 2025 — O ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Eduardo Tagliaferro declarou nesta terça-feira (7) que apresentará à Justiça da Itália supostas provas de fraude processual atribuída ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no período em que ele presidiu o TSE.
Tagliaferro, que reside em Torano Castello, no sul do país, é alvo de pedido de extradição formulado por Moraes no âmbito de inquérito que apura violação de sigilo funcional e organização criminosa. À Gazeta do Povo, o perito computacional disse possuir material inédito, mas ponderou que o conteúdo já divulgado em suas redes sociais “seria suficiente” para barrar sua remoção ao Brasil.
Na segunda audiência do processo, realizada nesta terça, o tribunal italiano optou por adiar a decisão sobre o caso. Após a sessão, o ex-assessor foi liberado, porém segue proibido de sair de Torano Castello e teve de entregar seus documentos às autoridades locais.
Segundo Tagliaferro, “a Itália não tem o rito mágico” que, em sua visão, favoreceria Moraes no Brasil. Seu advogado, Eduardo Kuntz, informou que pretende solicitar a revogação das medidas cautelares impostas ao cliente.
Entenda o caso
Tagliaferro ganhou notoriedade ao divulgar conversas internas de gabinetes do STF e do TSE que, segundo ele, revelariam ordens ilegais de Moraes, incluindo o monitoramento de perfis de direita nas redes sociais e a troca de documentos entre gabinetes sem registro nos autos.
Após o vazamento, a Procuradoria-Geral da República pediu abertura de inquérito por violação de sigilo funcional. Moraes acatou o pedido, determinou a investigação e solicitou a extradição de Tagliaferro, que deixou o Brasil e passou a viver na Itália.
Posicionamento de Moraes
Em nota, o gabinete do ministro afirmou que todos os procedimentos citados por Tagliaferro ocorreram “dentro dos parâmetros legais” e com registro nos autos, além de ciência da Procuradoria-Geral da República.
O processo de extradição segue em análise na Justiça italiana, sem prazo definido para julgamento.
Com informações de Gazeta do Povo