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Suspeitas na CPMI do INSS pressionam senador governista Weverton Rocha

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Brasília — O senador Weverton Rocha (PDT-MA), um dos principais articuladores da base do governo no Congresso, entrou no radar da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes em benefícios do INSS. Embora não figure como investigado, o parlamentar passou a ser citado por encontros com personagens centrais do esquema e por indicações para cargos estratégicos no instituto.

Assessores e operadores sob investigação

O nome do senador ganhou destaque após vir à tona o envolvimento de seu ex-assessor Gustavo Marques Gaspar, apontado como possível elo com o núcleo operacional das fraudes. Reportagem do portal Metrópoles revelou que Gaspar concedeu procuração ao consultor Rubens Oliveira Costa, conhecido como “homem da mala”. Questionado na CPMI em 22 de setembro, Rubens confirmou encontros com o ex-assessor, mas não detalhou eventual pagamento de propina.

Em nota, a assessoria de Rocha declarou que não existe vínculo profissional entre o senador e Gaspar desde 2023 e negou qualquer irregularidade.

Visitas do “Careca do INSS”

O próprio Weverton admitiu ter recebido no gabinete e em sua residência o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”. Segundo o senador, as conversas trataram do setor de cannabis, área em que Antunes atua. A revelação motivou novos pedidos de convocação apresentados por parlamentares como o deputado Kim Kataguiri (União-SP), que fala em “blindagem política” ao grupo investigado.

Indicação para diretoria do INSS

A CPMI também questiona a escolha de André Fidelis para a Diretoria de Benefícios do INSS. Em 8 de setembro, o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi confirmou que a indicação partiu de Weverton. Fidelis assinou convênios que resultaram em descontos de pelo menos R$ 142 milhões e, segundo documentos, teria recebido R$ 5,1 milhões por meio do escritório de advocacia do filho, Eric Douglas. Weverton afirma que apoiou o nome pelo “bom currículo” e nega relação próxima.

Transações suspeitas no Maranhão

Requerimentos de quebra de sigilo também miram um secretário de Presidente Dutra (MA), município administrado por Raimundinho da Audiolar (MDB). Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o secretário recebeu R$ 100 mil do “Careca do INSS” em julho de 2024, valor supostamente ligado à compra de um jet ski. O prefeito reconheceu a operação, mas disse desconhecer o verdadeiro dono da moto aquática.

Rede de contatos na mira

Outro personagem que atraiu atenções é Milton Salvador, apontado pela Polícia Federal como sucessor de Rubens Costa na função de operador financeiro. Ao depor em 18 de setembro, Milton foi acompanhado pelo advogado Antônio Malva Neto, ex-assessor de Weverton e ex-diretor do Ministério das Comunicações, reforçando as conexões políticas investigadas.

Carreira marcada por pautas sociais

Nascido em Imperatriz (MA) em 8 de outubro de 1979, Weverton Rocha iniciou a militância no movimento estudantil, presidindo grêmios e a União Nacional dos Estudantes (UNE). Filiado ao PDT desde os 16 anos, foi secretário estadual de Esporte e Juventude, deputado federal por dois mandatos e líder partidário na Câmara antes de eleger-se senador em 2018 com 1,99 milhão de votos — recorde no Maranhão.

Na trajetória parlamentar, destacou-se pela defesa de pautas trabalhistas e pela oposição a medidas como o impeachment de Dilma Rousseff e a reforma da Previdência. Agora, tenta se desvincular do escândalo no INSS, enquanto cresce a pressão para que preste depoimento à CPMI.

Com informações de Gazeta do Povo