Brasília – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (19) a transferência do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal (PF), também na capital federal.
A PF confirmou que o empresário chegou de helicóptero às instalações da corporação. A remoção ocorre 13 dias após a prisão preventiva de Vorcaro, decretada em 4 de março durante a terceira fase da Operação Compliance Zero.
Acusação de intimidação
Mendonça mandou prender o banqueiro ao identificar indícios de que ele mantinha uma estrutura privada destinada a monitorar e intimidar desafetos. A ordem foi referendada pela Segunda Turma do STF, com votos favoráveis dos ministros Luiz Fux e Nunes Marques. Dias Toffoli declarou-se suspeito para atuar no processo por motivo de foro íntimo.
O caso continua em análise no plenário virtual da Corte até 23h59 desta sexta-feira (20); apenas o ministro Gilmar Mendes ainda não registrou voto.
Trajetória da custódia
Após a prisão, Vorcaro passou dois dias no Complexo Penitenciário de Potim (SP) e, em 6 de março, foi levado para a Penitenciária Federal de Brasília. A nova transferência coloca o investigado nas mesmas dependências onde o ex-presidente Jair Bolsonaro ficou entre 22 de novembro de 2025 e 15 de janeiro deste ano. A cela utilizada pelo ex-mandatário, com cerca de 12 m², cama de solteiro, mesa, armários, televisão, frigobar, ar-condicionado, janela e banheiro privativo, pode ser disponibilizada ao banqueiro.
Negociação de delação
A defesa de Vorcaro, chefiada pelo advogado José Luís Oliveira Lima, avalia um acordo de delação premiada. A eventual colaboração, que também pode envolver João Carlos Mansur, ex-controlador da Reag Investimentos, foi tema de reunião com investigadores da PF e com o próprio ministro Mendonça. A permanência do banqueiro na sede da corporação é vista como mais um passo nas negociações.
Com informações de Gazeta do Povo