Brasília, 25 de agosto de 2025 — O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile, cobrou neste fim de semana que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apoie Venezuela e Cuba diante do que classificou como “guerra híbrida” promovida pelos Estados Unidos na América Latina.
A declaração foi feita em entrevista à emissora Telesur, após a movimentação de três navios de guerra norte-americanos rumo à costa venezuelana sob a justificativa de combater cartéis e o tráfico de drogas na região. Para Stedile, a operação faz parte de uma estratégia de Washington para manter influência sobre o continente e financiar a indústria bélica norte-americana.
“Nesse momento, todas as forças populares de esquerda, da classe trabalhadora, dos camponeses, devemos nos juntar em solidariedade à Venezuela e a Cuba. Espero que o governo brasileiro perceba que também é vítima desses mesmos métodos de guerras híbridas e se junte à Alba-TCP para garantir que nosso continente continue sendo de paz”, afirmou.
Críticas às sanções e tarifas
O dirigente do MST disse que os EUA atualizam a antiga Doutrina Monroe — que, segundo ele, impôs interferência direta nas Américas — por meio de bloqueios econômicos e sanções. Como exemplos, citou o embargo financeiro contra Cuba, as restrições impostas à Venezuela e a taxação de produtos brasileiros.
Stedile argumentou que as tarifas contra o Brasil encarecem mercadorias para os consumidores locais e transferem recursos ao Tesouro norte-americano, “que terá mais dinheiro para enviar armas para a Ucrânia, para Israel e para o Sudão”.

Imagem: Lula Marques via gazetadopovo.com.br
Rusgas com o Palácio do Planalto
Aliado histórico de Lula, Stedile vem criticando o governo desde o início do terceiro mandato, sobretudo pela lentidão na reforma agrária e no assentamento de famílias do MST. Recentemente, pediu a saída do ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, a quem chamou de “incompetente” por não cumprir promessas e falhar na disputa por verbas do Orçamento.
Em janeiro, João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST, também cobrou metas mais ambiciosas e classificou como “ridículo” o número de famílias assentadas, defendendo que pelo menos 65 mil sejam estabelecidas até o fim de 2025.
Com informações de Gazeta do Povo