Brasília – 19.mar.2026 – As mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, expuseram ministros do Supremo Tribunal Federal a uma série de questionamentos que seguem sem resposta detalhada. Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, citados nos diálogos, apresentaram notas pontuais, mas deixaram lacunas sobre reuniões, contratos e supostas relações pessoais com o empresário.
Moraes nega mensagens, mas não esclarece encontros
Moraes sustenta que as conversas localizadas no aparelho de Vorcaro não eram dirigidas a ele. O ministro, porém, não forneceu informações adicionais sobre:
- eventuais encontros com Vorcaro;
- o contexto das mensagens de 17.nov.2025, dia em que o banqueiro foi preso, incluindo o texto “conseguiu bloquear?”;
- o contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
Em dezembro de 2025, notas do gabinete de Moraes e do Banco Central confirmaram reuniões do ministro com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, mas não informaram datas nem temas além da suposta aplicação da Lei Magnitsky contra o magistrado.
Advogados veem necessidade de transparência maior
Para o jurista Leonardo Corrêa, fundador da Lexum, a simples negativa não basta. “Quanto mais elevada a função, maior o dever de explicação”, afirmou. O criminalista André Marsiglia defendeu que Moraes disponibilize seu celular aos investigadores “para mostrar que está limpo”.
Professor de Direito Administrativo, Vitor Barretta considera que indícios de uso de mensagens de difícil rastreabilidade “exigem apuração técnica” para verificar possível tráfico de influência ou acesso indevido a informações sigilosas.
Eventos sociais também permanecem sem retorno
Mensagens obtidas pela CPMI do INSS registram que Vorcaro teria reunido Moraes e outras autoridades em Londres, em 2024, para degustação do uísque Macallan, operação que custou R$ 3 milhões ao banqueiro. Conversas de abril de 2025 sugerem encontros “perto de casa” entre ambos. O ministro não comentou.
Toffoli apresenta explicações parciais
Dias Toffoli, relator do caso Master até 28.nov.2025, confirmou ser sócio da empresa Maridt, responsável pela venda do resort Tayaya, no Paraná, ao Fundo Arllen, ligado ao cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel. O ministro alegou que:
- nunca recebeu valores de Vorcaro ou de Zettel;
- todas as transações foram declaradas à Receita Federal e ocorreram a preço de mercado;
- a venda ocorreu antes de ele assumir a relatoria.
Apesar disso, Toffoli não divulgou quanto recebeu na operação nem explicou decisões consideradas atípicas, como limitar temporariamente o acesso da Polícia Federal aos dados do celular do banqueiro e designar peritos específicos para a análise do material.
Viagem em jato particular
Outro ponto pendente envolve a viagem de Toffoli a Lima, em nov.2025, em jato de um empresário, acompanhado do advogado de um dos presos no caso Master, para assistir à final da Libertadores. O magistrado afirmou tratar-se de convite pessoal, sem detalhar a presença do defensor.
Sem acusações formais, mas com pressão crescente
Até o momento, não há denúncia oficial contra os ministros. Contudo, a sequência de dúvidas sobre contratos, reuniões e comunicações mantém a pressão política e institucional por esclarecimentos mais amplos e documentação que afastem suspeitas de conflito de interesse dentro da Suprema Corte.
Com informações de Gazeta do Povo