Home / Política / Seis sinais de que o Planalto blindou entidades ligadas ao PT no escândalo bilionário do INSS

Seis sinais de que o Planalto blindou entidades ligadas ao PT no escândalo bilionário do INSS

ocrente 1762243314
Spread the love

Investigadores da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS apontam uma série de decisões políticas, administrativas e judiciais que, segundo a oposição, sugerem atuação do governo Luiz Inácio Lula da Silva para resguardar associações tradicionalmente próximas ao PT. O foco recai sobre a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), entidades citadas em relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal (PF) por possíveis irregularidades em descontos de benefícios previdenciários.

Entre 2019 e 2025, o desvio estimado dos cofres do INSS alcança R$ 6,3 bilhões. A seguir, os seis episódios listados por parlamentares como indícios de favorecimento:

1. AGU deixou Contag e Sindnapi fora de bloqueios judiciais

Em maio de 2025, a Advocacia-Geral da União (AGU) decidiu não pedir o bloqueio de bens da Contag e do Sindnapi, apesar de pareceres da CGU indicarem movimentações suspeitas. A Contag girou mais de R$ 3,6 bilhões em dez anos; o Sindnapi, cerca de R$ 150 milhões somente em 2024. O ministro Jorge Messias alegou “critérios técnicos”, sem detalhá-los.

2. Liberação em massa de descontos à Contag em 2023

O ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto reconheceu, em depoimento de 13 de outubro de 2025, ter autorizado a inclusão de 34.487 beneficiários para descontos em favor da Contag, contrariando pareceres internos. Auditoria da PF mostrou que apenas 213 segurados — 1,7% — haviam autorizado o desconto.

3. CPMI rejeitou convocar Frei Chico, irmão de Lula

Por 19 votos a 11, a CPMI barrou em 16 de outubro de 2025 a ida de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, vice-presidente do Sindnapi. A CGU afirma que o sindicato omitiu o nome dele ao renovar acordo com o INSS em 2023, o que infringiria a Lei nº 13.019/2014.

4. Proteção a Carlos Lupi e adiamento de quebras de sigilos

Requerimentos para quebrar sigilos bancário, fiscal e telemático do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi foram retirados da pauta em 16 de outubro de 2025. Lupi comandou a pasta entre janeiro de 2023 e maio de 2025 e manteve pelo menos seis reuniões com representantes da Contag em 2023.

5. Omissão de vínculos políticos nas parcerias

Relatórios da CGU indicam que a Contag não comunicou que Aristides Veras, ex-presidente da entidade, é irmão do deputado Carlos Veras (PT-PE). O Sindnapi, por sua vez, não informou a participação de Frei Chico em sua diretoria. Ambas as omissões ocorreram durante a celebração de Acordos de Cooperação Técnica com o INSS.

6. AGU e PGR defenderam descontos no STF

Em julho de 2025, a AGU e a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestaram-se no Supremo Tribunal Federal contra ação do PDT que pedia o fim dos descontos associativos em benefícios do INSS. Para os órgãos, fraudes não invalidam a norma prevista na Lei nº 8.213/1991.

Além desses episódios, integrantes da Contag ocupam assentos em colegiados federais desde o início do atual governo, como o Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea) e o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (CNDPI). A CPMI ainda pretende ouvir o advogado-geral da União, Jorge Messias, mas não há data marcada.

A Contag nega irregularidades e afirma atuar “com absoluta lisura”. O Sindnapi não se manifestou até o fechamento desta edição.

Com informações de Gazeta do Povo