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Sátira da “família em conserva” no carnaval amplia rejeição de evangélicos e católicos a Lula

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O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que colocou a “família em conserva” na avenida para homenagear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), gerou forte reação de evangélicos e católicos e acendeu o alerta no Palácio do Planalto a oito meses da eleição presidencial de 2026.

Reação imediata nas redes sociais

Logo após a apresentação na Marquês de Sapucaí, fiéis de diversas denominações passaram a publicar nas redes imagens de suas famílias “enlatadas”, criadas com inteligência artificial, em defesa de valores conservadores. Um dia depois, a Acadêmicos foi rebaixada para a Série Ouro do carnaval carioca.

Pesquisa indica percepção de preconceito

Levantamento do instituto Ideia divulgado em 19 de fevereiro mostra que 61,1% dos evangélicos entrevistados viram preconceito ou ofensa à liberdade religiosa na ala intitulada “Neoconservadores em conserva”. Do total, 45,9% souberam do episódio por reportagens ou redes sociais, e 19,1% disseram ter assistido ao desfile ou a vídeos da apresentação. Para 35,1%, a reação da sociedade seria mais contundente se outra religião tivesse sido alvo da sátira. O Ideia ouviu 656 pessoas em 315 municípios, pela internet, em 18 de fevereiro; a margem de erro é de 3,8 pontos percentuais e o nível de confiança, de 95%.

Desaprovação acima da média

Outro estudo, da Genial/Quaest, divulgado no início de fevereiro, aponta que 61% dos evangélicos desaprovam o governo Lula, contra 49% de desaprovação no público geral. A pesquisa entrevistou 2.004 eleitores entre 5 e 9 de fevereiro, com margem de erro de 2 pontos percentuais e registro no TSE sob o número BR-00249/2026.

Análises de especialistas

Para o cientista político Mário Lepre, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, a escolha do enredo “foi um erro grave” que reforça a imagem de oposição do presidente à instituição familiar. Adriano Cerqueira, do Ibmec Belo Horizonte, avalia que o episódio aprofunda a dificuldade histórica do PT em dialogar com o eleitorado evangélico ao atingir um valor central para os cristãos.

Católicos também contestam

O padre Chrystian Shankar, que reúne mais de 4 milhões de seguidores no Instagram, criticou a alegoria por “ridicularizar” valores como compromisso e fidelidade. A Frente Parlamentar Católica, presidida pelo deputado Luiz Gastão (PSD-CE), divulgou nota cobrando investigação sobre possível intolerância religiosa e lembrou que a escola recebeu R$ 1 milhão da Embratur, mesmo montante repassado às demais agremiações do Grupo Especial.

Crescimento evangélico preocupa o PT

Estudo da Mar Asset Management projeta que os evangélicos chegarão a 35,8% da população brasileira até o final de 2026, 3,7 pontos percentuais a mais que em 2022. A tendência, aliada ao histórico de voto conservador — Jair Bolsonaro obteve quase 70% dos votos evangélicos em 2018 —, pode comprometer a tentativa de reeleição de Lula.

Expansão de templos mantém ritmo acelerado

Entre 2010 e 2024, o número de igrejas evangélicas com CNPJ ativo dobrou, ultrapassando 140 mil. Nesse período, em média, 5 mil novos templos foram abertos por ano, indicando consolidação do segmento como força eleitoral.

Enquanto a Justiça Eleitoral analisa denúncias de propaganda antecipada e abuso de poder, a preocupação principal do governo é a resposta nas urnas. Analistas veem na polêmica do carnaval um potencial de ampliar ainda mais a distância entre o PT e o eleitorado cristão, especialmente entre os evangélicos.

Com informações de Gazeta do Povo