O samba-enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que a escola Acadêmicos de Niterói pretende levar ao Sambódromo da Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2026, tornou-se alvo de questionamentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Tribunal de Contas da União (TCU). A composição exalta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recorre a refrões usados em campanhas petistas e menciona o verso “sem mitos falsos, sem anistia”, numa referência a Jair Bolsonaro e aos atos de 8 de janeiro.
A polêmica ganhou força depois que se confirmou o uso de recursos públicos no projeto. A escola recebeu R$ 1 milhão da Embratur, autarquia federal, além de R$ 4,4 milhões repassados pela Prefeitura de Niterói, governada por aliado do PT. Há ainda apoio financeiro do governo do Estado do Rio de Janeiro, valor não detalhado.
O partido Missão protocolou no TSE pedido para barrar a execução do enredo e impedir eventual participação de Lula no desfile, alegando propaganda eleitoral antecipada. No TCU, técnicos apontaram possível desvio de finalidade no uso do dinheiro público para enaltecer uma autoridade em exercício, situação que pode configurar improbidade administrativa.
O enredo foi apresentado ao presidente meses atrás, em evento que contou com integrantes da escola. Segundo relatos, Lula demonstrou emoção ao ouvir a composição. Dirigentes petistas defendem a homenagem e negam irregularidades, enquanto oposicionistas apontam favorecimento político.
O caso será analisado pelos ministros do TSE e pelos auditores do TCU. Caso os tribunais entendam que houve propaganda antecipada financiada com dinheiro público, as sanções podem incluir multa, devolução de valores e declaração de inelegibilidade.
A Acadêmicos de Niterói integra o Grupo Especial do Rio de Janeiro e tem desfile marcado para a segunda noite de apresentações na Sapucaí, em data ainda a ser confirmada pela Liga Independente das Escolas de Samba.
Com informações de Gazeta do Povo