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Reunião fora da agenda com dono do Banco Master liga Lula a crise que ameaça reeleição

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A revelação de um encontro reservado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em dezembro de 2024, levou o chefe do Executivo ao centro do maior escândalo financeiro já apurado no país. A reunião no Palácio do Planalto não constava da agenda oficial e ocorreu poucos meses antes da liquidação da instituição pelo Banco Central (BC), em novembro de 2025.

Investigação da Polícia Federal (PF) aponta golpes bilionários em empréstimos consignados, conflitos de interesse envolvendo integrantes do Judiciário e a contratação de aliados de Lula pelo banco. O caso, que ganhou repercussão popular, passou a ser considerado ameaça direta ao projeto de reeleição do petista em 2026.

Galípolo presente e pressão sobre independência do BC

Também participou do encontro o economista Gabriel Galípolo, indicado por Lula para presidir o Banco Central a partir de janeiro de 2025. A presença do futuro chefe da autoridade monetária em reunião privada com o banqueiro alimentou questionamentos sobre a independência do BC.

Aliados do governo na mira de CPIs

No Congresso, parlamentares de oposição afirmam que o governo não conseguirá conter o impacto político. O deputado Maurício Marcon (PL-RS) cita contratações milionárias de ex-ministros em conselhos do Master — Ricardo Lewandowski (Justiça) recebeu R$ 6 milhões e Guido Mantega (Fazenda), R$ 1 milhão. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) sustenta que as novas revelações deverão acelerar a abertura de uma CPI específica.

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), classifica as investigações como “palanque de oposição”, enquanto aliados articulam responsabilizar políticos do Centrão vinculados à direita.

Lula tenta se afastar do caso

Após meses de silêncio, Lula criticou publicamente, em 23 de janeiro, “sem-vergonhas que defendem cidadão que deu golpe de 40 bilhões”, sem citar Vorcaro. A declaração coincidiu com a divulgação da agenda oculta no Planalto.

Cadeia de fraudes e prisões

De acordo com relatos colhidos pela PF, Vorcaro esteve no Planalto acompanhado de Mantega e de um empresário baiano ex-sócio do banco, investigado por fraudes no INSS ligadas ao programa de crédito consignado CredCesta. Ambos foram presos na Operação Compliance Zero e soltos mediante monitoramento eletrônico.

Além da tentativa de vender o Master ao Banco de Brasília (BRB), o caso envolve uso de influenciadores para defender o banco e resistência à convocação de CPIs.

Pressão sobre Dias Toffoli no STF

O escândalo alcançou o Supremo Tribunal Federal (STF). Lula teria manifestado a interlocutores preocupação com a condução do inquérito pelo ministro Dias Toffoli e cogitado a saída do magistrado da relatoria. A ligação de familiares de Toffoli e do colega Alexandre de Moraes com o banco ampliou o desgaste da Corte.

Dentro do STF, cresce a pressão para que Toffoli deixe o caso ou o envie à primeira instância. O magistrado, apoiado por Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, resiste.

Risco político nas eleições de 2026

Analistas preveem que o “caso Master” ocupará papel central na campanha presidencial. A oposição explora o tema como prova de falta de transparência e interferência política, enquanto o Planalto tenta minimizar danos. Para especialistas, o Legislativo pode se tornar o próximo alvo das investigações, e a eventual saída de Toffoli é vista como forma de conter a crise institucional.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, elogiou a atuação do BC na liquidação do Master, dizendo-se impressionado com o volume de irregularidades identificadas.

Com o avanço das apurações e o desgaste simultâneo do Executivo e do Judiciário, parlamentares das CPIs do Crime Organizado e do INSS prometem concentrar esforços nos personagens ligados ao escândalo, mantendo o tema no centro do debate político em 2026.

Com informações de Gazeta do Povo