O resort Tayayá, empreendimento que pertenceu à família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, renegociou um empréstimo de R$ 20,4 milhões concedido pelo Bradesco em cinco ocasiões entre 2016 e 2024. As operações ocorreram sem aplicação de multas por atraso e com juros prefixados de 6,5% ao ano, percentual inferior à taxa média de 10,5% cobrada pelos bancos para financiamentos imobiliários a pessoas jurídicas no primeiro semestre de 2024, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
O contrato original foi firmado em dezembro de 2016 pela DGEP Empreendimentos, incorporadora do resort, com prazo de três anos. Desde então, sucessivos aditivos postergaram o vencimento da dívida. A última mudança, registrada em cartório em outubro de 2024, estendeu o pagamento do saldo devedor de R$ 7,1 milhões para 15 de julho de 2026.
Participação societária
Dias Toffoli ingressou formalmente na sociedade do Tayayá em 2021, por meio da empresa Maridt S.A., que tem como dirigentes o engenheiro José Eugênio e o padre José Carlos Dias Toffoli, seus irmãos. A família deixou o negócio em 2025, mas o empréstimo ainda não foi quitado.
A DGEP foi fundada em 2006 por Mário Umberto Degani, primo de Toffoli, e pelo amigo Euclides Gava. Eles e suas esposas constam como fiadores do financiamento, oferecendo imóveis e unidades do resort como garantia. Em novembro de 2018, por exemplo, 20 apartamentos foram incluídos como hipoteca no contrato.
Posicionamento
Procurado, o Bradesco informou que não comenta casos amparados por sigilo bancário. A assessoria do STF destacou que o ministro não participou das negociações do crédito e que, por manter operações com o banco, declarou-se impedido de atuar em processos envolvendo o Bradesco. Contudo, documentos apontam que ele voltou a julgar ações relacionadas à instituição após 2018, inclusive durante o período em que figurava como sócio do resort.
Ligação com fundo de Daniel Vorcaro
Parte da participação de Toffoli no Tayayá foi vendida em 2021 a um fundo ligado a Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. A operação movimentou R$ 35 milhões por meio do Fundo Leal e do FIPF Arleen. Vorcaro e o cunhado Fabiano Zettel, único cotista do Leal, foram presos em abril de 2026 na Operação Compliance Zero, que apura irregularidades no Master.
Em fevereiro de 2026, Toffoli deixou a relatoria de inquérito sobre o Banco Master no STF, que passou para o ministro André Mendonça.
As renegociações do financiamento do Tayayá seguem registradas em cartório, sem indicação de quitação.
Com informações de Gazeta do Povo