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Resort à beira da represa liga fundo de Vorcaro a parentes de Toffoli e advogado da JBS

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Um complexo hoteleiro de luxo instalado em Ribeirão Claro, no norte do Paraná, tornou-se ponto de convergência entre um fundo associado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, familiares do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e, mais tarde, um advogado que já representou a JBS. O Tayayá Aqua Resort passou por sucessivas trocas de controle entre 2021 e 2025 enquanto era citado em apurações sobre suposta ocultação de recursos.

Localização e estrutura

Erguido às margens da represa de Chavantes, na região turística conhecida como Angra Doce, o resort oferece apartamentos, flats e casas com vista para o lago. A área de lazer soma mais de 5 mil m² de piscinas climatizadas e aquecidas, toboágua, aquaplay infantil, marina para embarcações e um centro gastronômico com pizzaria, choperia, temakeria, hamburgueria e bares integrados às piscinas.

Em janeiro, as diárias anunciadas variam de R$ 1.304 a R$ 2.104. Para o carnaval, o pacote mínimo de quatro noites parte de R$ 2.782 por diária. Nos meses de abril e maio, os preços começam em R$ 1.217. O Tayayá reúne 1.988 avaliações no Google, com nota média de 4,7 em 5.

Participação de parentes de Toffoli

Até 2025, os irmãos do ministro, José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, além do primo Mario Umberto Degani, detinham cotas do empreendimento. Eles dividiram o controle com o fundo de investimentos Arleen, ligado à rede financeira de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A entrada do Arleen, em 2021, rendeu cerca de R$ 3,2 milhões aos irmãos de Toffoli.

Embora não seja sócio, Dias Toffoli costuma frequentar o local e é relator no STF do inquérito que apura fraudes no Banco Master.

Venda para advogado da JBS

Em fevereiro de 2025, o advogado goiano Paulo Humberto Barbosa, que já atuou para a JBS, comprou por cerca de R$ 3,5 milhões a participação da Maridt, empresa dos irmãos de Toffoli. Degani permaneceu até setembro do mesmo ano, quando também vendeu sua fatia ao advogado.

Hoje, as cotas do Tayayá estão distribuídas entre a PHB Holding e Participações Ltda. e a Angra Doce Investimentos Ltda., ambas controladas por Barbosa.

Fundo investigado e operação policial

A aquisição de parte do resort pelo Arleen, em 2021, foi formalizada por Silvano Gersztel, executivo da gestora Reag e alvo da operação Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado, inclusive o PCC. O Arleen foi liquidado em dezembro de 2025, poucos dias antes da prisão de Daniel Vorcaro, detido ao tentar embarcar rumo a Malta.

Procurados pela reportagem, Paulo Humberto Barbosa, a JBS e a administração do Tayayá Aqua Resort não se manifestaram.

Com informações de Gazeta do Povo