Brasília – Mensagens extraídas do telefone do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela Polícia Federal revelam discussões acaloradas entre ele e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Os diálogos, ocorridos entre 13 de junho e 17 de julho de 2025, integram o relatório final que levou ao indiciamento de pai e filho, em 20 de agosto, por suposta obstrução de investigação sobre tentativa de golpe de Estado.
Tensão familiar e política
De acordo com a PF, Eduardo qualificou o pai como “ingrato” e “imaturo” ao criticar a aproximação de Bolsonaro com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O deputado também escreveu que Tarcísio “quer posar de salvador da pátria” e sugeriu que seria melhor “ficar de fora” da corrida presidencial, apontando que o Supremo Tribunal Federal “nunca seria um óbice” para uma eventual anistia conduzida pelo governador.
Em 24 de junho, o parlamentar questionou se Bolsonaro percebia que “tudo iria cair” sobre ele e que o “futuro dos netos” seria “falar inglês mesmo”, numa referência a impactos no exterior. Já em 11 de julho, Eduardo afirmou que Tarcísio “nunca ajudou em nada no STF” e só aguardava “2026 aquecido”.
Áudios não recuperados e pedidos de desculpas
Partes das conversas contêm áudios que não puderam ser recuperados. Num desses trechos, Eduardo envia uma gravação ao pai e, em seguida, escreve que gostaria que Bolsonaro o encarasse “como Michel Temer”, perguntando se o ex-presidente falaria da mesma forma sobre o ex-vice. Após nova manifestação pública de Bolsonaro amenizando o conflito, Eduardo pediu desculpas alegando ter “falado de cabeça quente”.
Malafaia chama Eduardo de “babaca”
O relatório também inclui áudio do pastor Silas Malafaia endereçado a Bolsonaro. Na gravação, o líder religioso se diz “indignado” com Eduardo, a quem chama de “babaca” por, segundo ele, adotar discurso nacionalista contra tarifas dos Estados Unidos impostas ao Brasil. Malafaia relatou ter dado um “esporro” no deputado e ameaçou produzir vídeo crítico caso o comportamento se repetisse.

Imagem: Camila Abrão via gazetadopovo.com.br
Apesar da irritação, o pastor reconheceu que Eduardo mantém contato com assessores de Donald Trump e atribuiu a ele influência sobre a postura do ex-presidente norte-americano. Malafaia elogiou ainda o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por defender negociação que vincule eventual anistia ao fim do tarifaço.
A PF concluiu que as conversas indicam atritos internos e possível tentativa de coordenar pressões sobre autoridades envolvidas no processo que investiga a tentativa de subversão da ordem democrática.
Com informações de Gazeta do Povo