O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) lamentou nesta quarta-feira, 8 de abril de 2026, a decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de não estender o prazo da CPI do Crime Organizado. Sem a prorrogação, os trabalhos do colegiado terminam em 14 de abril.
Alcolumbre justificou a negativa afirmando que não pretende manter comissões parlamentares de inquérito em atividade durante o período eleitoral. Para Vieira, porém, a medida compromete a apuração. “Estamos redigindo o relatório com o que já recebemos, mas os documentos chegam a conta-gotas”, afirmou à GloboNews.
Documentos incompletos e suspeitas sobre o Banco Master
Segundo o relator, a força-tarefa da CPI analisa papéis relativos ao Banco Master e à gestora de capitais Reag, apontadas pela Polícia Federal como engrenagens de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Vieira revelou que quebras de sigilo indicam a atuação do banco com, “pelo menos”, dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) por meio de familiares. O senador citou os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes:
- Toffoli foi sócio dos irmãos num resort no interior do Paraná que negociou cotas com um fundo ligado ao cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, preso sob suspeita de operar fraudes no Banco Master.
- No caso de Moraes, o escritório de advocacia da esposa, Viviane Barci, firmou contrato de R$ 129 milhões com o conglomerado de Vorcaro e recebeu R$ 40 milhões em 2024.
O relator disse que dados enviados pela Receita Federal vieram “incompletos” na primeira remessa, especialmente sobre o escritório Barci de Moraes, e que a comissão precisou solicitar complementação.
Depoimentos finais e críticas ao STF
Estão agendados para esta reta final os depoimentos do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ainda nesta quarta-feira, e do ex-governador fluminense Cláudio Castro (PL-RJ) na próxima semana. Vieira admite, contudo, que as oitivas não cobrirão todas as frentes de investigação.
O senador também criticou decisões do STF que anularam requerimentos da CPI, como convocações dos irmãos de Toffoli, acesso a documentos do fundo de investimentos do cunhado de Vorcaro e o depoimento do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto.
“Crime organizado não é só pobre armado”, diz relator
Vieira ressaltou que o crime organizado depende de estruturas de lavagem de dinheiro e corrupção para sobreviver. “Das cerca de 90 facções no país, todas têm comando dentro de presídios”, declarou. O relatório final, afirmou, abordará o Banco Master, a situação do Rio de Janeiro e as conexões do grupo de Vorcaro com figuras ligadas à Suprema Corte.
Por fim, o parlamentar disse aguardar decisão do ministro Nunes Marques sobre pedido de criação de uma CPI específica para o Banco Master, mas afirmou que o magistrado vem se recusando a recebê-lo.
Com informações de Gazeta do Povo