O Supremo Tribunal Federal (STF) voltou ao centro das atenções nesta quinta-feira (12) depois que o ministro Dias Toffoli se declarou impedido de participar do julgamento que definirá se o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, continuará preso. A decisão reduziu o quórum da Segunda Turma para quatro magistrados, o que abre a possibilidade de empate — resultado que favorece o réu.
Impedimento levanta suspeitas
Para o ex-procurador Deltan Dallagnol, Toffoli “evitou o constrangimento” de um voto que seria “suspeitíssimo” por causa de negócios milionários mantidos com o investigado. Segundo ele, há “abundantes razões” para manter a prisão preventiva, como risco à ordem pública, econômica e tentativa de obstrução de justiça.
A advogada Fabiana Barroso sugeriu que o afastamento pode ter sido negociado nos bastidores: “O próprio Toffoli pode ter combinado com os ministros para se declarar suspeito”. Com a saída, o ministro Kassio Nunes Marques passa a ser apontado como o voto de minerva, dividido entre sua trajetória conservadora e a proximidade com o Centrão.
Moraes impede visita de emissário de Trump
Paralelamente, o ministro Alexandre de Moraes proibiu a entrada do assessor de Donald Trump, Daren Beatty, na prisão onde se encontra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Moraes alegou ausência de agenda diplomática oficial. Barroso classificou a medida como “inacreditável”, enquanto o analista Francisco Escorsim leu a proibição como sinal de “desespero” diante de eventual influência norte-americana nas eleições brasileiras.
Dallagnol destacou que Beatty atua no Departamento de Estado subordinado ao senador Marco Rubio e chamou a decisão de Moraes de “porta na cara dos americanos”.
Busca e apreensão contra jornalista
A atuação de Moraes também foi criticada após ordem de busca e apreensão contra o repórter Luís Pablo Conceição, no Maranhão. O jornalista investigava o uso de carros oficiais por familiares do ministro da Justiça, Flávio Dino. O mandado autorizava revistas em qualquer pessoa presente no local.
Para Dallagnol, a medida representa um “estado policialesco”, já que o crime atribuído — perseguição (stalking) — é de menor potencial ofensivo e não deveria tramitar no STF. Escorsim avaliou que o país vive um “estado autocrático”, com decisões pautadas por autoproteção e interesses políticos.
Pedido de impeachment e apoio internacional
Em meio às críticas, o presidente da Gazeta do Povo, Guilherme Cunha Pereira, defendeu publicamente o afastamento e o impeachment de Moraes. A manifestação repercutiu fora do Brasil e recebeu apoio do empresário Elon Musk. Para Escorsim, a gravidade das decisões judiciais impede “qualquer normalidade institucional” no país.
O programa Última Análise, que trouxe as declarações, é transmitido ao vivo de segunda a quinta-feira às 19h no canal da Gazeta do Povo no YouTube.
Com informações de Gazeta do Povo