Investigadores da Operação Compliance Zero analisam uma minuta de contrato no valor de R$ 50 milhões, encontrada em endereços ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, para verificar se o documento serviria para quitar a parte restante de um acordo anterior, de aproximadamente R$ 129 milhões, firmado em 2024 com o Barci de Moraes Sociedade de Advogados, pertencente a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
A soma chamou atenção porque coincide com o montante ainda não pago ao escritório. Dados enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado mostram que o Banco Master desembolsou pouco mais de R$ 80 milhões entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Como o contrato original previa repasses mensais de cerca de R$ 3,6 milhões por três anos, faltariam aproximadamente R$ 50 milhões para completar o valor total previsto.
Documento sem assinatura e sem detalhamento
A minuta, datada de agosto de 2025, não chegou a ser assinada e omite o nome da empresa que assumiria a contratação. Também não descreve quais serviços seriam prestados, o prazo de vigência nem as condições de pagamento — pontos que os investigadores consideram cruciais para entender a real finalidade do instrumento.
O período em que o rascunho foi elaborado coincide com o agravamento dos problemas de liquidez do Banco Master e com a negativa do Banco Central à venda da instituição ao Banco Regional de Brasília (BRB). Foi nesse contexto que os pagamentos do contrato original foram interrompidos, após a prisão de Vorcaro e a liquidação do banco.
Citação em proposta de delação
Fontes envolvidas nas apurações confirmam que Vorcaro mencionou a existência da minuta em uma primeira proposta de colaboração premiada apresentada à Polícia Federal. Contudo, a versão não explicava a metodologia de cálculo dos R$ 50 milhões nem detalhava os serviços pretendidos. O acordo foi rejeitado, mas os documentos permanecem sob análise.
Posicionamentos
Em nota, o Barci de Moraes Sociedade de Advogados afirmou que não firmou novo contrato com Vorcaro ou com empresas a ele relacionadas, tampouco recebeu valores referentes à minuta de R$ 50 milhões. O ministro Alexandre de Moraes não se manifestou. A defesa de Daniel Vorcaro foi procurada, mas não respondeu até o fechamento desta reportagem.
Com informações de Gazeta do Povo