O derrubado presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado por forças norte-americanas na madrugada de sábado, 3 de janeiro de 2026. A operação militar, ordenada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desencadeou uma onda de incertezas sobre o futuro de outras ditaduras da região e reacendeu o debate sobre eventuais ações de Washington em países vizinhos.
Trump mira Cuba e Colômbia
Em coletiva no próprio sábado, Trump afirmou querer “ajudar o povo de Cuba” e adiantou que a situação da ilha “entrará na pauta” de seu governo. O secretário de Estado, Marco Rubio, disse que o regime de Havana se sustenta em lideranças “senis e incompetentes” e que deveria se preocupar com os próximos passos dos Estados Unidos.
Um dia depois, já a bordo do Air Force One, Trump citou a Colômbia, governada por Gustavo Petro, como possível alvo de novas operações. Segundo o republicano, Petro “gosta de produzir cocaína e vendê-la para os Estados Unidos” e “não ficará no poder por muito tempo”. Questionado sobre uma intervenção, respondeu que a ideia “parece boa”.
Impacto em aliados de Caracas
Analistas consultados avaliam que regimes aliados a Caracas, como Cuba e Nicarágua, podem perder sustentação política e econômica. O economista e doutor em Relações Internacionais Igor Lucena acredita que a liderança cubana sai fragilizada, embora ainda conte com apoio logístico da Venezuela. Já o coronel da reserva e analista militar Paulo Roberto da Silva Gomes Filho considera improvável, neste momento, uma ofensiva direta contra Havana, apostando em sanções mais duras.
Durante a ação que resultou na captura de Maduro, autoridades cubanas informaram a morte de 32 cidadãos da ilha, entre militares e agentes de inteligência destacados na proteção do líder venezuelano.
Futuro venezuelano indefinido
Especialistas em direito e relações internacionais ponderam que a remoção de Maduro não garante, por si só, uma transição democrática. O advogado Manuel Furriela destaca que, sem eleições em curto prazo com regras claras, o problema de legitimidade na Venezuela permanece. O professor de Harvard Vitélio Brustolin lembra que estruturas autoritárias consolidadas não se desfazem apenas com a troca de liderança.
Para o cientista político Gustavo Alves, a operação não inaugura uma doutrina contra ditaduras latino-americanas, mas representa ação pontual cujos desdobramentos ainda são incertos. O jurista Luiz Augusto Módolo, por sua vez, recomenda cautela diante das justificativas oficiais: segundo ele, Washington não revelou totalmente os fundamentos da intervenção, embora o narcotráfico e a presença de potências como Rússia e China na Venezuela tenham pesado.
Seleção de alvos e Doutrina Monroe
Analistas ressaltam que, no passado, acusação semelhante de envolvimento com drogas não levou os EUA a intervir em Cuba ou mesmo na Colômbia. Módolo argumenta que considerações de custo político e estratégico variam conforme o país. Ele observa que, ao agir na Venezuela, Washington atualiza a Doutrina Monroe e envia recados a rivais que ampliam influência na América do Sul.
A operação que retirou Nicolás Maduro do poder, portanto, rearranja o tabuleiro regional, pressiona aliados de Caracas e coloca Cuba e Colômbia sob os holofotes de Washington. Enquanto isso, o destino político da Venezuela segue indefinido, dependente de eleições reconhecidas internacionalmente e da recomposição de suas instituições.
Com informações de Gazeta do Povo