Brasília — A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou nesta quinta-feira (26) o requerimento que obriga a entrega dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A iniciativa, apresentada pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL), passou em votação confusa e provocou reação imediata de deputados e senadores governistas, que se dirigiram à residência oficial do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para tentar anular a decisão.
Disputa sobre contagem de votos
Parlamentares da base de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusam o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), de ignorar a presença de sete membros na votação simbólica. Viana rebateu, afirmando que mesmo com 14 votos o pedido seria mantido: “O governo tentou jogar com o regimento e perdeu de acordo com o mesmo regimento”, declarou em entrevista transmitida pela TV Senado.
Em coletiva, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) classificou a contagem como “fraudulenta” e exibiu imagens da sessão para sustentar a acusação. Viana respondeu que os aliados do Planalto podem recorrer a Alcolumbre, caminho adotado por uma comitiva que incluiu a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS). A assessoria dela confirmou a visita, mas não informou o resultado da reunião.
Decisão acompanha ordem do STF
A aprovação alinha a CPMI à determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que em janeiro já havia autorizado a Polícia Federal (PF) a acessar dados bancários, fiscais e telemáticos de Lulinha em inquérito sob sigilo.
Sessão termina em empurra-empurra
A tensão transbordou no plenário. Durante a confusão, o deputado Luiz Lima (PL-RJ) levou um soco de Rogério Correia (PT-MG). Correia disse ter reagido a um empurrão e pediu desculpas, mas depois passou a negar a agressão. O Novo anunciou representação contra o petista no Conselho de Ética.
Pedido de prisão preventiva
Logo após a sessão, 48 deputados protocolaram no Ministério Público Federal solicitação de prisão preventiva de Lulinha, apontando indícios de corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O grupo alega que o filho do presidente recebe uma “mesada” mensal de até R$ 300 mil, repassada pelo empresário Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
Os parlamentares destacam que Lulinha fixou residência na Espanha em 2025, fato que, segundo eles, pode dificultar o cumprimento de medidas judiciais.
Indícios sob investigação
Relatórios da PF registram mensagem na qual Antunes menciona pagamento de R$ 300 mil ao “filho do rapaz”, codinome atribuído a Lulinha. Documentos de viagem indicam que os dois embarcaram juntos para Lisboa em novembro de 2024, em assentos de primeira classe avaliados entre R$ 14 mil e R$ 25 mil.
Defesa nega envolvimento
O advogado Guilherme Suguimori Santos reiterou que Lulinha “não tem qualquer ligação com o escândalo do INSS” e classificou a quebra de sigilo como “desnecessária”. Ele afirmou que o cliente permanece à disposição do STF para esclarecimentos.
Com a decisão da CPMI mantida, caberá agora ao Banco Central e à Receita Federal disponibilizar os dados requeridos, enquanto o presidente do Senado analisa o recurso apresentado pela base governista.
Com informações de Gazeta do Povo