Brasília — A aprovação, na manhã de 26 de fevereiro de 2026, dos pedidos de quebra de sigilo bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS e pelo Supremo Tribunal Federal (STF) colocou o Palácio do Planalto sob pressão em pleno ano eleitoral.
Decisão contestada em plenário
O requerimento, apresentado pelo relator Alfredo Gaspar (União-PE), foi aprovado em meio a empurrões e socos no plenário. Parlamentares governistas tentaram votar a pauta em bloco para derrubar todos os pedidos, mas foram derrotados por 24 votos a 7, segundo o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG). Aliados do governo recorreram ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pedindo anulação da sessão sob alegação de “fraude no quórum”.
Investigação já tramitava no STF
Durante a reunião, veio à tona que a Polícia Federal solicitara em janeiro a quebra de sigilo de Lulinha ao ministro André Mendonça, que autorizou a medida no inquérito que apura descontos indevidos de cerca de R$ 6 bilhões em benefícios do INSS. A corporação afirma não haver prova de participação direta do empresário, mas sustenta que as diligências são “etapa técnica de verificação”.
Suspeitas levantadas pela CPMI
No pedido aprovado, Gaspar citou:
- suposta mensagem do empresário Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, indicando repasse de R$ 300 mil ao “filho do rapaz”, expressão que a PF associa a Lulinha;
- registro de viagem de primeira classe para Lisboa em novembro de 2024, na qual Lulinha e Antunes teriam embarcado juntos, com passagens avaliadas entre R$ 14 mil e R$ 25 mil;
- indícios de que o filho do presidente seria sócio oculto de empresas de cannabis medicinal, possivelmente financiadas com recursos desviados da Previdência.
Reação da defesa e do governo
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, conselheiro jurídico de Lulinha, classificou a decisão como “esdrúxula”, alegando que o cliente não é investigado pela PF e está disponível para esclarecimentos. O Palácio do Planalto não se pronunciou até o fechamento da reportagem.
Oposição mira as urnas
Parlamentares oposicionistas, como Luiz Lima (Novo-RJ) e Ubiratan Sanderson (PL-RS), anunciaram planos de explorar o tema na campanha municipal e estadual de 2026. “É um escândalo ter o filho do presidente ligado a um operador de fraude de R$ 6 bilhões”, declarou Lima, após ser atingido por um soco durante a sessão.
Analistas veem desgaste político
Para o cientista político Adriano Cerqueira, a nova crise “reacende o fantasma da corrupção” no governo e pode unificar insatisfações ética e econômica. A constitucionalista Clarisse Andrade aponta que a derrota na CPMI “reforça a busca por transparência”, enquanto o jurista Luiz Augusto Módolo considera a medida “corajosa” diante da gravidade das acusações.
Especialistas em direito público, como André Marsiglia e Jorge Martins de Oliveira, lembram que a quebra de sigilo não implica culpa, mas alertam para possíveis questionamentos no STF se não houver individualização de conduta.
Com informações de Gazeta do Povo