Home / Política / PT aprova resolução que mira reeleição de Lula e classifica disputa de 2026 como “guerra” pela democracia

PT aprova resolução que mira reeleição de Lula e classifica disputa de 2026 como “guerra” pela democracia

ocrente 1770672918
Spread the love

A Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou, na primeira reunião do Diretório Nacional de 2026, um documento político que funcionará como roteiro para a campanha eleitoral deste ano. A resolução, divulgada no fim de janeiro e chancelada durante as comemorações dos 46 anos da sigla, apresenta avaliação do governo Lula, leitura do cenário político-econômico e orientações de mobilização da militância em defesa da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Calendário de atos e mensagem de confronto

No texto, os diretórios municipais, estaduais e núcleos de base receberam a tarefa de construir um calendário nacional de mobilizações com três datas-chave: 10 de fevereiro (aniversário do partido), 8 de março (Dia Internacional da Mulher) e 1º de maio (Dia do Trabalhador). A orientação é articular defesa do governo, combate ao que o PT chama de “extrema-direita” e disputa contra o “projeto rentista-autoritário”.

Durante evento comemorativo em Salvador no sábado, 7 de fevereiro, Lula reforçou o tom de embate: “Preparem-se. Essa eleição vai ser uma guerra e nós vamos ter que estar preparados pra ela. Temos que ser mais desaforados, porque eles são. Não tem essa mais de Lulinha Paz e Amor.”

Democracia vs. “capital rentista”

De acordo com o documento, a disputa de outubro não será apenas entre candidaturas, mas entre “projetos antagônicos”: de um lado, o “projeto democrático, popular e soberano” liderado por Lula; de outro, um “projeto autoritário, excludente e subordinado aos interesses do capital rentista e da extrema direita global”, identificado com o bolsonarismo, “independentemente de quem venha a ser seu porta-voz”.

Análises e críticas

Para o doutor em Direito Luiz Augusto Módolo, a resolução reproduz estratégia histórica do PT de “polarização permanente” ao criar inimigos externos e estimular divisões identitárias, como “brancos contra negros” e “homens contra mulheres”. A doutora em Direito Eleitoral Clarisse Andrade vê “tom duro e belicoso” que tende a intensificar a polarização em detrimento de um debate focado em propostas.

O sociólogo Gustavo Alves afirma que, ao condicionar a estabilidade democrática à permanência de Lula no poder, o partido “deslegitima previamente qualquer projeto alternativo”.

Economia: dados positivos sem riscos fiscais, dizem especialistas

Na área econômica, o PT sustenta que o governo recolocou o Brasil “no rumo do crescimento com distribuição de renda, justiça social e responsabilidade fiscal” e defende início de queda da taxa básica de juros. A analista de mercado financeiro Regina Martins aponta “uso seletivo” de indicadores, sem mencionar aumento da dívida pública nem riscos de médio e longo prazo. Ela acrescenta que a pressão por juros menores sugere resistência do partido à autonomia do Banco Central, reacendendo temores de interferência política.

Narcoterrorismo e segurança pública

O texto petista rejeita o termo “narcoterrorismo”, classificando-o como retórica da direita para legitimar “políticas de exceção” e “militarização permanente”. O sociólogo Marcelo Almeida avalia que a posição relativiza a crise de segurança e demonstra “desconhecimento prático” no combate ao crime, lembrando pesquisa Meio/Ideia divulgada em 13 de janeiro, na qual 48,7% avaliaram como ruim ou péssima a atuação do governo Lula na área.

Corrupção e regulação de plataformas digitais

A resolução associa escândalos recentes, como o caso Banco Master, ao “capital rentista”, mas não faz autocrítica sobre casos envolvendo gestões petistas, observam analistas. O documento também defende regulação das plataformas digitais para combater “rede internacional de desinformação”. Para o constitucionalista André Marsiglia, a proposta pode representar ameaça à liberdade de expressão diante de decisões judiciais que já restringem conteúdo nas redes.

Objetivo: maioria no Congresso e governadores alinhados

Ao final, o PT classifica a eleição de 2026 como “histórica” e afirma que a reeleição de Lula é “condição estratégica” para consolidar a democracia, eleger governadores aliados e formar maiorias parlamentares. A sigla diz buscar “revés político ao bolsonarismo” e aprofundar as transformações iniciadas no país.

Com informações de Gazeta do Povo