Brasília — A detenção preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no sábado, 22 de novembro, levou a oposição a intensificar a cobrança pela votação do projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Parlamentares do PL e de siglas aliadas articulam para que a proposta, atualmente alterada para reduzir penas, volte ao formato original de anistia ampla e seja analisada pela Câmara dos Deputados ainda nesta semana.
Reunião define estratégia
Na tarde de segunda-feira (24), 54 deputados e senadores do PL se reuniram na sede nacional do partido, em Brasília, com o presidente da legenda, Valdemar da Costa Neto. Participaram também a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O grupo decidiu pressionar o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para pautar o texto original da anistia e tentar reinstaurá-lo por meio de emenda.
Como primeira medida, o PL enviará cartas a embaixadas em Brasília denunciando perseguição política e religiosa contra Bolsonaro, cuja prisão, segundo a defesa, foi motivada em parte pela convocação de uma vigília. Flávio Bolsonaro afirmou que a ordem de prisão foi emitida antes da suposta violação da tornozeleira eletrônica atribuída ao pai.
Ameaça de obstrução
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), declarou que a oposição não votará nenhuma matéria, inclusive o Orçamento de 2026, até que a anistia seja incluída na pauta. Apesar disso, a reunião do partido descartou repetir ocupações de plenário, como ocorreu em agosto, e aposta em um acordo de líderes para garantir a votação.
Para o consultor político Marcus Deois, a estratégia de obstrução total pode perder força diante do interesse eleitoral da própria oposição em temas como segurança pública. Ainda assim, ele avalia que o contexto da prisão aumenta a chance de o presidente da Câmara atender ao pedido.
Movimentação no Senado e no plenário
Nos bastidores, dirigentes do PL consideram a prisão um “fato novo” que justifica a inclusão imediata da anistia na agenda. O deputado Maurício Marcon (Podemos-RS), em processo de filiação ao PL, disse acreditar haver votos suficientes para aprovar o texto. Já o relator da proposta de redução de penas, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), avalia que o novo cenário pode diminuir a resistência de parlamentares ligados a Bolsonaro e permitir votação ainda nesta semana.
Senadores da oposição também acompanham possíveis reações do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após o anúncio do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal, indicação que contrariou a preferência de Alcolumbre pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Protestos e vigílias
No próprio sábado da prisão, deputados Hélio Lopes (PL-RJ) e Bia Kicis (PL-DF) estiveram na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para protestar. Reuniões emergenciais ocorreram em sequência, incluindo um encontro na casa do líder da oposição na Câmara, Luciano Zucco (PL-RS), no domingo (23). Flávio Bolsonaro segue convocando vigílias de oração em defesa do pai.
Ofensiva internacional
Enquanto parlamentares preparam um novo relatório para denunciar o ministro Alexandre de Moraes em organismos como ONU, OEA e Tribunal Penal Internacional, declarações de autoridades estrangeiras ampliaram a repercussão do caso. O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou a situação como “muito ruim”. Já o vice-secretário de Estado americano, Christopher Landau, considerou a prisão “provocativa e desnecessária”.
Nos Estados Unidos, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) prometeu sugerir à Casa Branca que estenda sanções da Lei Magnitsky, já aplicadas a Moraes e à esposa, aos filhos do magistrado.
Com informações de Gazeta do Povo