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Presidente da COP 30 admite que conferência em Belém não alcançou metas aguardadas

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Belém (PA), 27 de janeiro de 2026 — O presidente da COP 30, embaixador André Corrêa do Lago, reconheceu nesta terça-feira que o encontro climático realizado em novembro de 2025, na capital paraense, terminou com avanços aquém do esperado por cientistas e sociedade civil.

Em carta pública divulgada pela presidência da conferência, Lago atribuiu o resultado modesto ao “contexto geopolítico atual”, que, segundo ele, dificultou a adoção de decisões mais ambiciosas e impediu consensos essenciais diante da intensificação das mudanças climáticas.

“Como nas edições anteriores, obtivemos progresso diplomático, mas novamente ficamos abaixo do que as comunidades impactadas e os especialistas aguardavam”, escreveu o embaixador.

Foco em combustíveis fósseis permanece indefinido

Lago informou que continua trabalhando num documento voltado à eliminação gradual dos combustíveis fósseis — tema considerado sensível e que acabou fora do texto final aprovado em Belém. Não há prazo estabelecido para a conclusão das negociações.

O embaixador reforçou a necessidade de “desenvolver roteiros para a transição” energética e para “conter e reverter o desmatamento”, ao mesmo tempo em que busca avançar no plano de financiamento climático de US$ 1,3 trilhão articulado em parceria com a presidência da COP 29.

Próximos passos até a COP 31

Lago permanecerá à frente da conferência até a COP 31, marcada para novembro em Antália, na Turquia. Ele e a CEO da COP 30, Ana Toni, participarão de reunião preparatória no país anfitrião em fevereiro.

A edição de 2026 terá formato inédito: a Turquia sediará o evento, enquanto a Austrália será responsável por conduzir as negociações. O diplomata brasileiro defende um “multilateralismo em dois níveis”, no qual grupos de países formem coalizões sobre propostas específicas antes de buscar consenso pleno.

Além da pauta sobre combustíveis fósseis, a presidência brasileira pretende concluir os chamados mapas de caminho para zerar o desmatamento ilegal e garantir o cumprimento das metas de financiamento climático definidas em 2024, na COP 29 de Baku, Azerbaijão.

Com informações de Gazeta do Povo