O jornalista Marcos Tosi traçou uma linha de comparação entre o banqueiro brasileiro Daniel Vorcaro e o financista norte-americano Jeffrey Epstein no episódio do programa Ouça Essa, publicado em 21 de fevereiro de 2026, às 19h01, pela Gazeta do Povo. Segundo Tosi, os dois personagens compartilham estratégias de ostentação e trânsito entre figuras influentes, ainda que respondam a acusações distintas.
Luxo como cartão de visitas
Epstein, gestor de fortunas bilionárias, possuía mansões, uma ilha particular no Caribe e o jatinho batizado de Lolita Express, que o levava a encontros com chefes de Estado, empresários e membros da realeza. Vorcaro, proprietário do Banco Master, exibe perfil semelhante: mantém imóveis de alto padrão no Brasil e no exterior, utiliza aeronaves privadas para transportar convidados — entre eles o ministro do STF Dias Toffoli, que assistiu à final da Libertadores, no Peru, a seu convite — e comprou o resort Tayaya, na chamada “angra doce” entre Paraná e São Paulo, antes pertencente à família Toffoli.
Relações estratégicas
Enquanto Epstein fazia questão de registrar encontros com nomes como Bill Clinton, Donald Trump, Bill Gates e o príncipe Andrew, Vorcaro coleciona imagens de festas restritas a autoridades dos três Poderes, agora sob custódia da Polícia Federal e do gabinete do ministro do STF André Mendonça. De acordo com a reportagem, constam em sua folha de pagamentos figuras como os ex-ministros Ricardo Lewandowski e Guido Mantega, além da esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Rotas distintas na Justiça
Epstein foi preso em 2019 e morreu na cadeia, em um suicídio oficial contestado por diversas teorias. Vorcaro, por sua vez, não enfrenta acusações de crimes sexuais, mas é apontado como peça-chave em investigações sobre contratos públicos e influência política. Segundo Tosi, o empresário tornou-se “o maior arquivo vivo” da face corrompida da República e pode esclarecer acordos bilionários firmados nos bastidores.
O jornalista ressalta que a vida privada de ambos não constitui crime por si só; entretanto, a confluência de festas, luxo e autoridades com poder de decisão levanta suspeitas sobre a promiscuidade entre dinheiro público, sentenças judiciais e negócios de alto valor.
A comparação, explica Tosi, não se baseia no teor das acusações — no caso de Epstein, abuso sexual; no de Vorcaro, tráfico de influência —, mas no modus operandi que combina ostentação, acesso exclusivo e benefícios junto a pessoas estratégicas.
Com informações de Gazeta do Povo